segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Contribuições da colonização alemã no Brasil

A ceifa alemã, Pedro Weingärtner


Em 1824, poucos anos após o governo ter introduzido os primeiros imigrantes em Nova Friburgo e no Rio de Janeiro, começou, também por incentivo do governo, a colonização de certas áreas do Rio Grande do Sul por imigrantes alemães. O motivo era povoar e desenvolver zonas ainda não colonizadas. A primeira colônia fundada foi a de São Leopoldo. Partindo de São Leopoldo, os colonos foram-se estabelecendo inicialmente nos vales dos rios Sinos, do Jacuí e do Caí. Foi esta a zona mais importante da colonização alemã.

Ao chegarem, os colonos recebiam um lote por família: os lotes eram pequenos, mais ou menos de 220 metros de largura por 3.300 de comprimento. Nestes lotes os colonos plantavam o que precisavam para viver, e quem trabalhava nas lavouras era o próprio dono da terra e sua família. A necessidade de os colonos se adaptarem a um país inteiramente diverso de seu país de origem fez com que eles adotassem uma série de costumes novos. Aos poucos foram-se formando núcleos de colonização com traços típicos alemães ao lado de traços tipicamente brasileiros. O ajuste dos colonos ao novo meio exigiu, entre outras, modificações na alimentação, nas técnicas agrícolas, nas roupas, nas casas.

Assim é que o pão de milho substituiu a princípio o pão de centeio, e a mandioca, o cará, o inhame e o feijão substituíram a batata, principal alimento dos alemães. Os imigrantes passaram a preparar a terra pelo método indígena da coivara, e a trabalhar o solo com a enxada, em lugar do arado a que estavam acostumados na Europa. Vencidas as primeiras dificuldades, os colonos iniciaram o plantio da batata e do centeio, alimentos de sua preferência. Começou a produção de vários tipos de linguiças e de carnes defumadas, de leite, manteiga e queijos. A cozinha dos imigrantes acabou juntando pratos brasileiros a pratos alemães; a bebida gaúcha, o mate chimarrão, difundiu-se rapidamente entre os colonos e tornou-se tão importante quanto a bebida predileta dos alemães: a cerveja.

As primeiras casas foram ranchos construídos de taipa e cobertos de sapé, à moda cabocla. Depois, à medida que os colonos melhoravam de situação, iam surgindo casas de madeira e, mais tarde, de tijolos, lembrando casas típicas alemãs: chaminé do lado de fora da cozinha, telhado construído em ângulo agudo, sótão. Modificaram-se, porém, de acordo com o clima quente da região: o porão, que serve para isolar as casas da umidade, nos climas frios, foi eliminado, e em algumas casas, sobretudo nas de madeira, surgiu a varanda, que permite melhor ventilação dos cômodos.

Os trajes regionais típicos e as roupas de lã acabaram sendo abandonadas por causa do clima e por serem caros; os colonos adotaram rapidamente roupas feitas de algodão ou de brim e de chita.

Embora o governo brasileiro não tivesse podido ajudar os colonos como devia, por falta de recursos e por estar empenhado em sufocar a Revolução Farroupilha, a colonização alemã avançou lentamente. Em 1829 foi fundada a colônia de Mafra (Santa Catarina) e, a partir de 1835, alguns alemães começaram a penetrar o vale do Itajaí, onde mais tarde foram fundados núcleos como Blumenau e Joinville, que deram grande impulso à região.

A partir do governo de D. Pedro II, com a vinda de grupos maiores de imigrantes, a colonização alemã alcançou grande importância; instalou-se o progresso na indústria, representado por serrarias, moinhos, cortumes, fábricas de ferramentas, de artefatos de couro, calçados, arreios, selas, cervejarias e indústrias de laticínios, que ainda hoje contribuem de forma relevante para o progresso econômico do Brasil.

HOLLANDA, Sérgio Buarque de. História do Brasil: da independência aos nossos dias. São Paulo: Nacional, 1980.

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