"Os espelhos estão cheios de gente.
Os invisíveis nos vêem.
Os esquecidos se lembram de nós.
Quando nos vemos, os vemos.
Quando nos vamos, se vão?"
Eduardo Galeano: Espelhos
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terça-feira, 12 de maio de 2015

Desafios ambientais (1970 até os dias atuais)

Chaminés. Alfred Palmer


A atividade humana sempre afetou o meio ambiente natural, mas o surto de industrialização, urbanização e aumento populacional iniciado no começo do século XIX teve um impacto sem precedentes. Entre os efeitos visíveis, estão a poluição do ar e da água, a desertificação, o desmatamento e a extinção de plantas e animais. Menos visível até época mais recente, mas potencialmente mais grave do que todas as outras mudanças ambientais, é o aquecimento global.

* Industrialização. A industrialização trouxe muitos benefícios à sociedade humana, como oportunidade de emprego, melhor comunicação e um padrão de vida geralmente mais alto. Mas isso tem custo. A produção da energia que move a indústria, o consumo de produtos industrializados como os veículos motorizados e o descarte de resíduos domésticos e industriais levaram a um aumento maciço da poluição do ar e da água. Por exemplo, o aumento das emissões de enxofre e nitrogênio retorna à terra como chuva ácida, que prejudica árvores, vegetação natural, plantações e cardumes. A intensificação da agricultura, necessária para alimentar a crescente população urbana, transformou o habitat rural e pôs em risco plantas e animais.

* Crescimento populacional. A população global aumenta em cerca de 77 milhões de habitantes por ano. A grande densidade habitacional provoca mais poluição e maior destruição de habitats e consome mais recursos naturais. Embora hoje o crescimento da população dos países desenvolvidos seja muito mais lento do que no mundo em desenvolvimento, o povo desses países consome mais recursos per capita e, portanto, tem impacto ambiental maior do que o dos países subdesenvolvidos.

* Aquecimento global. Justificadamente, o maior desafio ambiental enfrentado pela raça humana no início do século XXI é o aquecimento global. Com base na tendência atual, muitos cientistas estimam que o aumento constante da temperatura média da superfície da Terra pode se tornar catastrófico para a sociedade humana e para grande parte da flora e da fauna do planeta. Os cientistas já observaram uma redução de 40% da espessura média do gelo do Ártico. Se o gelo polar continuar derretendo, pode haver uma elevação do nível do mar que inundaria muitas ilhas baixas e cidades litorâneas.

O aquecimento global é causado por uma camada de gases como o dióxido de carbono que, na atmosfera da Terra, absorve o calor dos raios do sol em um processo chamado de "efeito estufa". A maioria dos climatologistas acredita que a atividade humana é a principal força motriz por trás do aquecimento global. Desde a Revolução Industrial, os seres humanos queimaram uma quantidade imensa de combustíveis fósseis - carvão, petróleo e derivados - e aumentaram assim a quantidade de dióxido de carbono na atmosfera.

* Cooperação internacional. Desde o final da década de 1960, há tentativas, em nível nacional e internacional, de proteger e conservar o meio ambiente. A primeira grande conferência global sobre o meio ambiente, realizada em 1972 em Estocolmo, na Suécia, levou à criação do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA). Um papel importante do PNUMA tem sido estimular o "desenvolvimento sustentável", ou seja, aumentar o padrão de vida sem destruir o meio ambiente.

Muitos acordos internacionais se seguiram à Conferência de Estocolmo, como a Convenção sobre o Comércio Internacional das Espécies Ameaçadas, em 1975, e a moratória de 1982 a toda caça comercial de baleias. Um dos tratados mais eficazes foi o Protocolo de Montreal, de 1987, sobre substâncias que destroem a fina camada de ozônio, na parte superior da atmosfera, que protege a Terra dos prejudiciais raios ultravioletas do sol. A Eco-92, no Rio de Janeiro, Brasil, em 1992, foi a maior reunião de líderes mundiais da história e produziu dois importantes tratados entre países que reduziriam voluntariamente as emissões de dióxido de carbono e outro exigindo que os países protegessem espécies e habitats ameaçados. Em 1997, ficou claro que as metas voluntárias de emissão especificadas na Eco-92 não seriam cumpridas. Outra conferência em Quioto, no Japão, chegou ao acordo de reduzir em 5% o nível de emissões entre 2008 e 2012, com relação aos altos índices de 1990. Os EUA estavam entre os países que se recusaram a ratificar o acordo, mas em 2005 ele já foi ratificado pelos 55 países exigidos e passou a ter força legal.  Ainda assim, muitos cientistas acreditam que as exigências do protocolo de Quioto são modestas demais para afetar o aquecimento global, mesmo que sejam cumpridas. Alguns afirmam que é necessário uma redução mínima de 60% das emissões para estabilizar o clima do planeta. Na Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2011, em Durban, África do Sul, líderes mundiais concordaram em um acordo jurídico sobre a redução de emissões de carbono, para 2020. Muitos cientistas e grupos ambientais advertiram que este calendário era muito lento para evitar o aquecimento global de 2º C até 2050.

* O movimento verde. Na década de 1970, desenvolveu-se um poderoso movimento "verde" para pressionar os líderes políticos e aprovar leis que protegessem o meio ambiente. Entidades como Greenpeace e Friends of the Earth fizeram campanha por mudanças, às vezes usando confrontos não violentos como meio de chamar atenção para a destruição ambiental. Em muitos países, formaram-se partidos políticos verdes: o Partido Verde alemão chegou a participar do governo nacional em 1998. Nos anos 2000. o ambientalismo se tornou oficial, e a maioria dos grandes partidos políticos do mundo ocidental tem uma política forte de defesa do meio ambiente.

* Cronologia.

1970 Milhões se reúnem nos EUA no primeiro Dia da Terra.
1971 Fundação do Greenpeace.
1972 Formação do PNUMA.
1975 Convenção sobre o Comércio Internacional das Espécies da Fauna e da Flora Silvestres Ameaçadas de Extinção.
1982 A Comissão Baleeira Internacional impõe uma moratória a toda a caça comercial de baleias.
1987 Protocolo de Montreal sobre substâncias que destroem a camada de ozônio.
1989 Convenção de Basileia sobre o Controle de Movimentos Transfronteiriços de Resíduos Perigosos e seu Depósito.
1992 Conferência da ONU sobre Desenvolvimento e Meio Ambiente (ECO-92) no Rio de Janeiro, Brasil.
1997 Negociado o Protocolo de Quioto.
1999 A população mundial chega a seis bilhões de pessoas.
2002 Rio + 10 ou Cúpula Mundial sobre Desenvolvimento Sustentável em Johannesburgo, na África do Sul.
2011 Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas, em Durban,

WOOLF, Alex. Uma Nova História do Mundo. São Paulo: M. Books do Brasil, 2014. p. 294-5.

terça-feira, 13 de maio de 2014

O homem do século XVI: o homem face à natureza

- O homem face ao clima. A geografia física do globo não mudou em suas grandes linhas. 

Se as modificações das margens e dos cursos de água resultam, desde o século XVI, mais da ação dos homens ou de sua deserção que dos fenômenos naturais, as variações do clima quase não podem ser negadas. Uma certa concordância entre diversos índices (crônicas dos contemporâneos, flutuações das geleiras, exame dos anéis de crescimento das árvores) autoriza a reconhecer que, depois de longuíssimo período de temperaturas médias relativamente brandas, a Europa conhece, na segunda metade do século XVI, uma tendência ao resfriamento que se prolonga até o meio do século XIX (“pequena idade glacial”).

O homem é, certamente, mais afetado do que nós pela alternância das estações que ritma o jogo dos elementos naturais, sobre os quais ele tem muito menos poder de ação do que hoje.


Primavera, Pieter Brueghel, o Jovem

Na maior parte dos países temperados, no inverno, a atividade se restringe às horas que escapam às trevas exteriores perigosas, e mesmo interiores paralisantes. No verão, ao contrário, as longas jornadas são consagradas aos trabalhos dos campos, cujo resultado condiciona a subsistência do ano todo, e aos da oficina. Mas igualmente importantes são as meias-estações, a primavera que prepara a colheita e o outono durante o qual se põe em ordem o quadro de frutos silvestres, produtos de caça, lenha para aquecimento, vimes...


A colheita do feno, Pieter Brueghel, o Jovem

Sob outros céus, a alternância das estações toma outras formas: estação seca e estação chuvosa nos países de monções ou mesmo nos países mediterrâneos.

- O quadro de vida. A habitação mudou muito menos do que parece pois, hoje, apenas subsistem da época as casas mais sólidas, sobretudo as construídas de pedra ou de tijolos. Mas estes materiais são, de maneira geral, empregados tardiamente e, no século XVI. Paris continua a ser ainda uma cidade de madeira. Ou melhor, somente o rés-do-chão é de pedra. O incêndio de Londres em 1666 recorda que o emprego da madeira era aí ainda bastante difundido no século XVII. Apenas as igrejas, os conventos, as municipalidades são construídas de materiais duros. Mesmo nas cidades, a cobertura é feita amiúde de sarrafos ou de colmo.

Nas regiões em que é abundante, a madeira constitui a totalidade do edifício (Escandinávia, Rússia). Alhures, o modo de construção mais propagado associa a madeira e o adobe, ou seja, com tabique ou armação de madeira na Europa Ocidental e com adobe e bambu no Extremo Oriente. Uma estrita regulamentação da construção existe em cidade. Subsiste, todavia, certa fluidez no agrupamento da casa. A aldeia Lorena fechada não datará senão do século XVII. No interior dos quarteirões urbanos conservam-se jardins.

Nas cidades, a casa pobre, baixa, compõe-se, em geral, de duas peças, o “cômodo da frente” e o “cômodo traseiro”. A casa burguesa, que permanecera estreita, aumentou verticalmente e aloja inúmeras famílias. A divisão dos níveis sociais se propaga em altura: loja ou oficina no rés-do-chão, residência do mestre no andar de cima e, no alto, quartos dos operários, sótão habitados. No campo, o habitat associa estreitamente homens e animais.


Hora da refeição no campo, Pieter Brueghel, o Jovem

A terra batida que, salvo exceção, constitui o piso das habitações rurais, recua, nas cidades, diante do ladrilhamento. O parquete só timidamente aparece nas casas dos mais ricos e não se difundirá senão no século XVII. Em Paris continua-se ainda a juncar de palha o piso dos aposentos, no inverno, e de ervas recém-cortadas, no verão. A Europa conhece uma inovação com o vidro branco que se propaga nas janelas no século XVI. O taipal maciço é encontrado ainda, especialmente nos campos.

O aquecimento só existe, na verdade, nos países onde o inverno é rigoroso. Na China do Norte, na Rússia, o camponês deita com a família sobre o fogão de tijolo. A Europa do Noroeste conhece a chaminé de certa dimensão, que se torna um elemento decorativo entre os ricos. Em Paris, os pobres se aquecem com o “braseiro” de tijolo utilizado na cozinha. Os países mediterrâneos conhecem apenas a braseira. Na Europa Central e na Oriental, o fogareiro de tijolo, depois de faiança, é posto no cômodo comum. O aquecimento é o privilégio de um único aposento, o que implica, no inverno, uma vida concentrada num pequeno espaço.

O mobiliário, em geral, não é menos rudimentar. O uso da mesa alta distingue a Europa da maioria das demais partes do mundo onde as pessoas se acomodam em redor da mesa baixa, sentadas ou deitadas no chão. Na Europa Ocidental, o luxo do mobiliário consiste em cortinados, cobertas de cama, tapeçarias, almofadas, e, a um nível mais elevado, em móveis como leites com dossel, cofres esculpidos, mais tarde incrustados e, “gabinetes”, ancestrais das secretárias. Mas, a não ser nos castelos de alguma importância, este mobiliário se concentra no cômodo comum e, amiúde, único. A intimidade e a comodidade são quase ignoradas. As privadas são desconhecidas. A iluminação, durante muito tempo, é uma necessidade de Estado ou um luxo. Não obstante, o lustre ou o modesto castiçal se difundem. Esta “vitória sobre a noite” se colocaria na Europa no século XVI (F. Braudel).

O vestuário da grande maioria da humanidade permanece invariável no que concerne ao tecido e à forma empregados, como seja o quimono no Japão ou o poncho no Peru. Também quase não varia entre os países da Europa, homens ou mulheres, antes do século XVIII. A escolha do tecido é fixada segundo os recursos do país, o hábito da vestimenta e a categoria social.

A uniformidade constitui a regra, não apenas nas roupas de trabalho, mas também nos trajes de função. Destarte, na Europa Ocidental e na Central, o traje continua a ser o signo que distingue os letrados: eclesiásticos, agentes da Universidade (nisto compreendidos os médicos) e os juízes. O uso da vestimenta longa impõe um comportamento grave e comedido a homens ainda próximos da natureza.

Entretanto, o traje de corte, que imita bem o traje da cidade, torna-se a presa da moda. Isto a tal ponto, que tudo que se pretende permanente – Igreja – monarquia – se aferra ao uso de vestes anacrônicas cuja forma no conjunto, está fixada, no século XVI. Esta vitória da moda, não é ela o sinal de uma vitória sobre os imperativos do modo de vestir?

- Meios de ação do homem sobre a natureza. Localmente, o homem já possui forte domínio sobre a natureza. Mas o estado de seus conhecimentos biológicos e de sua técnica, a energia motriz de que pode dispor não lhe permitem tentar outra coisa senão uma ordenação prudente e limitada das condições naturais.

O universo fitológico difere sensivelmente do nosso. Salvo em algumas regiões da Ásia, da África e da América, o homem cultiva, no início do século XVI, um espaço bem menor do que o fará no século XIX. Na Europa, um lugar apreciável é deixado ou incult. Pelo menos a metade está ocupada pelas florestas, matas de corte, charnecas, baldios, terras ingratas que o homem, à falta de meios, não pode arrotear nem manter cultivadas, que ele utiliza como terrenos de percurso (inclusive as florestas) ou das quais retira recursos indispensáveis: lenha, forragem, turfa, frutos silvestres, caça etc. Ocorre o mesmo no Extremo Oriente onde os homens mais evoluídos se concentram nas únicas terras que permitem uma cultura permanente e abandonam o restante, colinas e montanhas, a populações primitivas.

O homem entrega-se à clemência do céu. Entretanto, às vezes, ele assume encargos. Na cristandade, cultiva-se a vinha até na Inglaterra e na Noruega para se ter vinho de missa, apesar de não haver colheita todos os anos. Este desafio à natureza, é ele assim tão excepcional?

O homem pouco atua sobre a fertilidade do solo. As terras, em todos os países de cultivo manual, são estrumadas, o mais frequentemente, como na China, pelo adubo humano. Além disso, as lavras são pouco profundas. Os próprios animais as estrumam quando permanecem sobre os restolhos. Para reconstituir a fertilidade do solo, o homem deixa a terra em repouso. Ao incult permanente acrescenta-se um incult temporário, não sempre periódico. Quando aumentam as necessidades alimentares, arroteia-se.

A permuta das espécies já foi considerável entre as diversas partes do Antigo Mundo, mas não se realizou nada comparável em rapidez às transformações produzidas pela descoberta do Novo Mundo. Imaginemos uma Europa onde faltem batatas, milho...

O universo animal é, provavelmente, mais rico do que hoje em espécies domesticadas. Até aí o homem interveio no equilíbrio destas. Entretanto, o urso frequenta, ainda, as montanhas e o lobo, os campos da Europa Ocidental; estão, contudo, em recuo. É menos assombroso ver o homem transportar seus animais domésticos de um a outro continente. Isso levará à América o cavalo, e à Europa o peru e a galinha-d’angola... Alguns animais domésticos seriam irreconhecíveis ao home do século XX. O porco permanece, em geral, pequeno (40 a 60 kg), veloso e armado de defesas. Somente as vacas, encontradas na Índia atualmente, podem dar uma ideia do que eram na Europa.

As civilizações não conservam as paisagens naturais senão nos lugares que negligenciaram. O agricultor do Extremo Oriente, do mesmo modo que o da Europa, faz impiedosa caça à arvore em seu território. Desajuizadamente, ele destrói algumas vezes certas espécies animais e vegetais. Tudo isso exige uma organização coletiva minuciosa e constrangedora para a conservação do terreno, mas raramente empreende uma modificação deliberada da paisagem. Todavia, nas margens do mar do Norte e nos deltas perigosos, a luta defensiva contra o mar tende a tornar-se uma reconquista. É necessário grande arrojo para mobilizar nesse objetivo as magras fontes de energia e as técnicas da época.

As fontes de energia motriz são fontes imediatas, emprestadas ao que se movimenta ou é movido de maneira natural.

O homem, de início, emprega a própria força. A tal respeito, não o faz melhor presentemente. Todas as máquinas elementares estão inventadas. As grandes civilizações do Antigo Mundo conhecem a alavanca, a roda, a polia, o cabrestante, o bolinete, o guindaste, os pedais, que multiplicam as forças humanas, naturalmente débeis.

A força animal é, ainda, mais frequentemente utilizada para transportar do que para puxar ou movimentar as máquinas. Ainda quanto a isso, pelo menos no Antigo Mundo, o homem não o fará muito melhor. O cavalo continua a ser um animal de preço, apanágio dos nobres, dos guerreiros ou dos agricultores de maiores posses das regiões mais fáceis de cultivar.

É graças ao cavalo e ao dromedário que o homem pode vencer a distância, multiplicando por cinco a extensão da etapa cotidiana. Ele, contudo, não venceu o peso. À falta de estradas praticáveis, o transporte permanece aleatório e limitado. Uma carroça atrelada não transporta muito mais que meia tonelada, e as despesas são enormes. Trata-se, portanto, de transportar a uma distância razoável apenas mercadorias leves, caras.

Em terra, o vento não é utilizado senão para mover moinhos. O mesmo ocorre com o motor hidráulico. Nascido das necessidades da moagem, é sempre chamado de moinho. Mas não aciona unicamente mós. Pode-se, pois, considerar que, no século XVI, ele se tornou a principal fonte de energia motriz aplicada na indústria.

A navegação se serve das únicas fontes de energia motora natural (remos, velas). Mas continua a ser um meio de comunicação quase terrestre: fluvial ou costeiro, de resto imbatível, lá onde for possível. A travessia direta dos oceanos e dos mares de alguma amplidão é sempre uma aventura. Ela só começa a ser encarada pelos europeus durante o século XV.

O homem do século XVI não pode considerar os combustíveis como uma fonte de energia. Não obstante, faz uso da madeira e, acessoriamente, na China do Norte e num ponto ou outro da Europa (região de Newcastle, de Liège), do carvão de pedra, não apenas com o fito de aquecer-se, mas para fins industriais: metalurgia, evaporação do sal... É no respeitante às fontes de energia que, provavelmente, a inferioridade das civilizações com relação às nossas é mais nítida.

Assaz paradoxalmente, a técnica é menos atrasada. O domínio da água conhece canais, irrigação, drenagem, bombas de elevação, eclusas. Sem dúvida, muitas ferramentas são feitas de madeira. Entretanto, a ferrumentária do aço, que permite furar, polir (arco de puz, serra, broca) já está sendo mais ou menos empregada. Falta-lhes somente a força. A necessidade de metais preciosos, ou mesmo simplesmente úteis, levou o homem, desde longa data, a ousar a exploração dos recursos do subsolo. Certamente, não é possível comparar a mina de carvão do século XVI com a do século XX. Todavia, tudo aí está: poços, guindastes, galerias, vagonetes, bomba d’água, ventiladores.

A técnica permitiria, pois, ao homem exercer considerável domínio sobre a natureza, se ele dispusesse da energia necessária. Para remediar esta insuficiência, ele se mostra engenhoso em multiplicar as próprias forças. A espera de poder pôr a serviço de sua técnica consideráveis fontes de energia, o homem revela, em suas relações com a natureza, uma paciência infinita. A do europeu do século XVI é, provavelmente, da mesma ordem da do chinês do século XIX. Na verdade, sua técnica e suas fontes de energia motriz não dão ainda ao europeu uma superioridade esmagadora sobre o chinês. Se ele se considera o piloto da humanidade, o é por motivos outros, especialmente espirituais.


CORVISIER, André. História moderna. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1995. p. 11-15.

NOTA: O texto "O homem do século XVI: o homem face à natureza" não representa, necessariamente, o pensamento deste blog. Foi publicado com o objetivo de refletirmos sobre a construção do conhecimento histórico.

terça-feira, 11 de março de 2014

A natureza encontrada pelos europeus: as plantas

* Mandioca. Dentre as plantas alimentícias a que mais impressionou os europeus pela utilidade e por suas características curiosas foi a mandioca. Planta arbustiva, suas diversas variedades produziam raízes de tamanho e grossura variáveis, chegando até cinco ou seis palmos de comprimento e uns dois de circunferência.

Raízes e planta da mandioca, Zacharias Wagener

Alimento vegetal básico dos índios, foi adotado pelos colonos e usado também para alimentar animais domésticos. O seu preparo, entretanto, exigia cuidados especiais, pois a mandioca só podia ser consumida depois de descascada, ralada e espremida, operações que retiravam o perigoso veneno de seu sumo. Esse veneno era utilizado pelos índios para matar seus desafetos; os animais domésticos morriam se tivessem contato com esse líquido.

A farinha era consumida sozinha ou com carne, caldos ou legumes, podendo ser transformada em pão, bolo e biscoito. Outra variedade de farinha, mais fina e delicada - a carimã - era obtida das raízes fermentadas. Seu mingau era bom para doentes e crianças.

Léry descreve pitorescamente o modo como a farinha seca era consumida pelos índios sem o uso de colheres ou garfos.

Os tupinambás, tanto os homens como as mulheres, acostumados desde a infância a comê-la seca em lugar do pão, tomam-na com os quatro dedos na vasilha de barro ou em qualquer outro recipiente e a atiram, mesmo de longe, com tal destreza na boca que não perdem um só farelo. E se nós franceses os quiséssemos imitar, n]ao estando com eles acostumados, sujaríamos o rosto, ventas, bochechas e barbas.

Esse hábito prático e curioso foi incorporado pelos nossos caipiras e ainda é conhecido em muitos lugares do Brasil como "comer de arremesso".

Da mistura da mandioca ralada e espremida com alguns punhados de carimã e torrada em panelas fazia-se a "farinha de guerra" que os índios usavam em suas viagens e expedições guerreiras. Ela se tornou a principal provisão das bandeiras e foi usada pelos portugueses no campo, na cidade e nas longas viagens marítimas.

Outros alimentos nativos como o aipim, o milho, os feijões, as batatas e os carás completavam a dieta básica dos brasileiros.

* Amendoins e pimentas. O primeiro impacto do amendoim era a estranheza da planta cujos frutos encontrados nas pontas das raízes dentro de cascas duras com três ou quatro grãos dentro.

Os grãos muito saborosos eram comidos depois de cozidos, assados com a casca ou torrados sem elas. As mulheres portuguesas em pouco tempo passaram a aproveitar o amendoim em doces ou confeitos que substituíam nozes e castanhas europeias.

Com os índios, os colonos aprenderam a usar diversas qualidades de pimenta que misturavam com o sal nos legumes, nos pescados, nas carnes e nos caldos, dando início à tradição da culinária baiana.

* Cajus, bananas e abacaxis. No capítulo da incontável variedade de frutas saborosas e estranhas - como a jabuticaba e a jaca -, destacam-se o caju, o ananás (ou abacaxi) e a banana.

Cajus, Zacharias Wagener

O caju já era muito apreciado pelos índios, que até estabeleciam a própria idade relacionando-a com as épocas de sua floração ou colheita e logo tornou-se indispensável aos colonos. Muito fresca e digestiva essa fruta era recomendada no combate às febres, dando ainda bom hálito a quem o consumisse pela manhã.

Gabriel Soares de Souza, em suas minuciosas e até científicas descrições dos produtos brasileiros, comenta:

Fazem-se estes cajus de conserva, que é muito suave, e para se comerem logo cozidos no açúcar, cobertos de canela não têm preço. Do sumo dessa fruta faz o gentio vinho com que se embebeda, que é de bom cheiro e saboroso.

Aproveita-se também a deliciosa castanha, apesar das precauções necessárias para retirar a casca dura que queimava e empolava a pele.

As pacobas dos índios, que ficaram mais conhecidas pelo nome africano de bananas, encantavam o olhar europeu pela beleza plástica do cacho de frutos amarelos que pendia de uma árvore de folhas largas e verdes. Até hoje a banana, o coco, o abacaxi e o mamão são os símbolos universalmente mais conhecidos e divulgados do esplendor sensual dos trópicos.

Como alimento básico, a banana sempre complementou a dieta de colonos e escravos. Assada em lugar da maçã, era boa para doentes e, como guloseima, era transformada em marmelada, geléia ou seca ao sol.

Muitos localizaram no miolo da banana (escurecido parecendo uma cruz), "um sinal do favor divino". Gabriel Soares de Souza nos conta: "quem cortar atravessadas as pacobas ou bananas, ver-lhes-á no meio uma feição de crucifixo, sobre o que contemplativos têm muito a dizer".

No esforço de identificar todos os sinais da localização do Jardim do Éden, o padre Simão de Vasconcelos desenvolve extensa argumentação que envolve as qualidades do céu, do ar, do clima, dos animais e das plantas, que a seu ver comprovam o caráter maravilhoso da terra. Entre as plantas - afirma - a maior das maravilhas é "a que os portugueses chamam de erva da Paixão, os índios maracujá... a flor é o mistério único das flores. Tem o tamanho de uma grande rosa; e neste breve campo formou a natureza como um teatro dos mistérios da Redenção do mundo". Descrevendo as diversas partes da flor, demonstrava que ali se encontravam todos os símbolos da morte de Cristo e concluía: "a esta flor por isso chamam flor da Paixão, porque mostra aos homens os principais instrumentos dela, quais são coroa, coluna, açoites, cravos, chagas".


Maracuja, Georg Marcgraf

O rei das frutas era sem contestação de nenhum cronista o ananás, ou abacaxi. O sabor e perfume delicados e irresistíveis, contrastando com a aspereza da casca e da planta, não cansavam de maravilhar a todos. Assim como o caju, prestava-se à preparação de doces, vinhos e refrescos e à recuperação de doentes.


Abacaxi, Georg Marcgraf e/ou Zacharias Wagener

Somados aos mamões, laranjas, limões e a frutas menos conhecidas como o ombu, a colônia oferecia um grande número de alimentos ricos em vitaminas e sais minerais. Seu efeito curativo sobre doenças como beribéri e o escorbuto - decorrentes, como se sabe hoje, de dietas deficientes em vitaminas B e C -, que dizimavam os viajantes de longas travessias, tornavam-nas desejadas por todos que passavam pelos portos.

A ambivalência de plantas alimentícias como a mandioca, o caju, o ananás e outras em que uma aparência hostil ocultava sabor suavíssimo, em que um caldo venenoso antecedia uma farinha comestível e manchava a pele, criava uma impressão agridoce da nova terra. Era um mistério a ser decifrado, em que a aparência inocente ocultava perigo, violência, morte ou costumes bestiais - como acontecia com as plantas e os índios - ou o aspecto grosseiro e agressivo encobria as delícias do paraíso.

É de se lamentar que as primeiras tentativas literárias em poesia ou prosa sobre os sentimentos inspirados pela vida cotidiana na colônia tenham sido tardios e raros com algumas manifestações somente nos séculos XVII e XVIII.

A introspecção e a reflexão não atraíram homens empenhados em conquistar, enriquecer, reproduzir-se, enfim: sobreviver. Viver parecia mais interessante e absorvente do que pensar, escrever ou divagar.

* O tabaco e o vício do fumo. Conhecido na época como perfume ou erva-santa, o tabaco usado pelos índios foi adotado pelos colonos e levado para a Europa. Era considerado remédio eficiente para a cura de feridas e bicheiras de homens e animas. Seu uso como fumo causava polêmica.

Gabriel Soares de Souza assim descreve o estranho hábito:

A folha dessa erva, como é seca e curada, é muito estimada dos índios, mamelucos e dos portugueses, que bebem o fumo dela, ajuntando muitas folhas destas torcidas umas às outras, e metidas num canudo de folha de palma, e põe-se-lhe o fogo por uma banda, e como faz brasa metem este canudo pela outra banda na boca, e sorvem-lhe o fumo para dentro até que sai pelas ventas fora.

O vício de "beber fumo" propagou-se rapidamente entre os colonos e, chegando à Europa, foi objeto de condenação papal. No Brasil, o ato de fumar também parecia a muitos coisa diabólica a ponto de justificar certa vez a denúncia o infeliz donatário da capitania do Espírito Santo à Inquisição.

O mundo vegetal oferecia ainda muita coisa "mágica" como os cipós (que substituíam as cordas), ervas medicinais e venenosas e sobretudo árvores de todo tipo, tamanho e dureza, que foram empregadas em madeiramento de casas, maquinário de engenho, construção de barcos e navios. Grande admiração causava o tamanho e grossura de certas árvores que tinham troncos de trinta, quarenta e até cem palmos de largura, chegando a fornecer, individualmente, taboado suficiente para uma casa ou uma igreja.

Derrubada de uma floresta, Rugendas

Os prejuízos causados pelo corte desenfreado de madeiras nobres não passaram despercebidas e, já no século XVII, uma carta régia procurava regulamentar e preservar o seu uso.

No entanto, a carta foi desobedecida e grande parte das espécies descritas por escritores da época estão extintas.

MESGRAVIS, Laima; PINSKY, Carla Bassanezi. O Brasil que os europeus encontraram. São Paulo: Contexto, 2000. p. 14-20.

NOTA: O texto "A natureza encontrada pelos europeus: as plantas" não representa, necessariamente, o pensamento deste blog. Foi publicado com o objetivo de refletirmos sobre a construção do conhecimento antropológico.

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Alimentação nas sociedades contemporâneas

Os dois últimos séculos trouxeram para a alimentação os efeitos combinados da Revolução Industrial, agrícola e dos transportes, provocando a maior globalização da história alimentar com o intercâmbio de produtos e a difusão de tecnologias de refrigeração, conservação, cozimento a gás e elétrico.

Consolidou-se também o intercâmbio que fez os produtos americanos como o milho, a batata, o tomate, o pimentão e muitos outros incorporarem-se à agricultura e à culinária europeia, africana e asiática, de onde, da mesma forma, vieram produtos como o trigo, o centeio, o arroz e tantos outros que se espalharam pelo mundo, integrando-se às tradições culinárias locais.

Esse processo dividiu a economia global em países produtores de matérias-primas, que foram submetidos a regimes de exploração colonial para sua especialização em monoculturas de exportação para os países centrais. Assim o açúcar, o café, o chá, o cacau, a carne e outros alimentos foram concentrados em regiões produtoras periféricas, embora o consumo maior se realizasse nas metrópoles europeias.

A invenção da lata, em 1804, também foi uma conseqüência imediata das guerras napoleônicas e da necessidade militar de garantir abastecimento. Depois disso, a invenção da indústria de refrigeração permitiu, a partir do final do século XIX, o transporte internacional de carne em navios frigoríficos. Isso fez países como a Argentina e a Nova Zelândia passarem a economias de intensa especialização pecuária, começando uma criação de animais em grande escala. Mais tarde, a pasteurização e as técnicas de higiene e assepsia também aumentaram a qualidade e a integridade dos alimentos.


Campbells.
 Imagem: Balougador

No século XX, a expansão da eletricidade e do gás na vida doméstica fez com que a cozinha das casas se tornasse o local de maior influência da Revolução Industrial na vida cotidiana do lar. Primeiro fogões e geladeiras e, depois, especialmente no segundo pós-guerra, eletrodomésticos se tornaram bens de consumo de massa.

A descoberta dos fertilizantes artificiais, no início do século XX, após o uso de insumos como o guano e o nitrato, e a utilização maciça de agrotóxicos ampliaram enormemente o volume de grãos produzidos, mas não conseguiram acabar com a fome no mundo, pois as estruturas de renda desiguais entre os países e em seu interior não permitiam o acesso dos famintos aos alimentos.

As conseqüências socioambientais do modelo agroindustrial baseado em grandes unidades de produção extensiva de monocultura com uso intensivo de insumos técnicos são cada vez mais preocupantes. A eutrofização (causada pelos fertilizantes nitrogenados) das águas, a expansão de doenças devido à criação animal intensiva em confinamento (como a vaca louca e, mais recentemente, as gripes aviária e suína) e o uso de terras para a produção maciça de forragem animal como a soja, por exemplo, trazem graves problemas sociais e ambientais. A expansão de um modelo de alimentação excessivamente rico em gorduras animais, açúcares e carboidratos, com o aumento exponencial da obesidade, também é uma característica marcante de um modelo agroindustrial e cultural cujos efeitos são catastróficos para o equilíbrio ambiental do planeta, devido à busca da produtividade máxima a qualquer custo. O consumismo voraz e perdulário nos países centrais é associado a pólos crescentes de miséria e fome nas grandes cidades e nos países periféricos. A alimentação contemporânea faz parte, assim, de um modelo insustentável que compromete os recursos naturais e humanos em contradição com as grandes conquistas tecnológicas que ampliaram a capacidade produtiva.

Henrique Carneiro. Alimentação. In: BETING, Graziella. Coleção história de A a Z: [volume] 4: Idade Contemporânea. Rio de Janeiro: Duetto, 2009. p. 8-9.

NOTA: O texto "Alimentação nas sociedades contemporâneas" não representa, necessariamente, o pensamento deste blog. Foi publicado com o objetivo de refletirmos sobre a construção do conhecimento histórico.

segunda-feira, 29 de abril de 2013

As paisagens do Imperialismo

As atitudes de compreensão da natureza como força a ser controlada e explorada pela civilização cruzaram com a expansão do imperialismo no século XIX. Essa noção filosófica de conquista da natureza progressivamente tornou-se o modelo e o padrão para sociedades não ocidentais, e sua aceitação global levou a humanidade até a porta do desastre ecológico, no final do século XX. O imperialismo ecológico entrelaçou-se aos objetivos políticos das potências coloniais. Por exemplo, a Índia Britânica explorou e destruiu florestas do oeste do Himalaia entre 1815 e 1914, enquanto construía o serviço de administração de madeireiras mais sofisticado do mundo colonial. A colonização da natureza era vista como tão inevitável quanto a subjugação de povos pelos poderes coloniais.

Europeus consideravam jardins cultivados e cercados como as paisagens mais atraentes e idílicas durante o século XIX, um tipo de colonização da natureza. O legado da imagem dessa colonização é encontrado nos parques nacionais do mundo: do Quênia até Gana e até Yosemite, paisagens naturais protegidas tornaram-se necessárias para preservar ao menos alguma lembrança da natureza e da vida selvagem que quase foi perdida na turbulência do imperialismo no século XIX e começo do século XX. Oficiais coloniais e outros europeus coletaram plantas e animais de todo o mundo para criar jardins botânicos e parques zoológicos, bem como para explorá-los mascarados pelo valioso conhecimento e por produtos comercializáveis. Por meio do que alguns estudiosos chamaram de "bioprospecção", os encontros globais de colonizadores com novos ambientes ameaçou aqueles que não tinham poder. Por exemplo, tanto os escravos africanos quanto os ameríndios utilizavam abortivos e outras plantas para controlar a fertilidade feminina e resistir à opressão, mas o conhecimento dessas plantas nunca foi transferido à Europa, possivelmente como consequência do empreendimento colonial ter sido dominado por homens. Hoje, corporações multinacionais rivalizam pelo controle do copyright sobre novas espécies de plantas altamente produtivas.

Casa Miwok, Parque Nacional de Yosemite, Estados Unidos. Foto: Urban


Da Tailândia à Amazônia, da África Equatorial até o nordeste do Pacífico nos Estados Unidos e no Canadá, a exploração de florestas modificou as paisagens globais drasticamente e impingiu padrões centenários de uso de recursos e de terras. O estudo científico auxiliou a habilidade das sociedades de aprofundar a compreensão e a exploração do mundo natural. A tendência global em relação ao desmatamento não era tanto uma resposta às pressões do aumento populacional quanto era a consequência das forças mundiais de mercado, geradas pelas demandas globais por mercadorias e matérias-primas. Em particular, os mercados das nações industrializadas demandaram madeira para construção, impressão de jornais e outros produtos de papel. Produto da colaboração entre nações ricas e menos desenvolvidas, o desflorestamento tornou muitas populações rurais mais dependentes das necessidades do mercado internacional e do controle externo. A ironia é que em várias partes do mundo, à medida que a informação científica sobre os sistemas de florestas do mundo ia aumentado, as florestas, progressivamente exploradas, desapareceram. Ao final do século XX, um total estimado em 20,4 milhões de hectares de florestas tropicais estava sendo perdido anualmente. Muito devido ao desmatamento, aproximadamente 1,4% dos biomas mundiais contém praticamente a metade da biodiversidade do planeta, tornando a perda futura de florestas ainda mais crítica.

GOUCHER, Candice; WALTON, Linda. História mundial: jornadas do passado ao presente. Porto Alegre: Penso, 2011. p. 59.