"Os espelhos estão cheios de gente.
Os invisíveis nos vêem.
Os esquecidos se lembram de nós.
Quando nos vemos, os vemos.
Quando nos vamos, se vão?"
Eduardo Galeano: Espelhos
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quarta-feira, 31 de maio de 2017

A garra charrua

Índios do Rio da Prata (charruas). 
Jornal de viagem de Hendrick Ottsen, 1603

No ano de 1832, os poucos índios que tinham sobrevivido à derrota de Artigas foram convidados a firmar a paz, e o presidente do Uruguai, Fructuoso Rivera, prometeu que eles iam receber terras.

Quando os charruas estavam bem alimentados e bebidos e adormecidos, os soldados entraram em ação. Os índios foram libertados de suas penas e angústias a golpes de punhal, para não gastar balas, e para não se perder tempo com enterros foram atirados no arroio Salsipuedes.

Foi uma armadilha. A história oficial chamou de batalha. E cada vez que nós, uruguaios, ganhamos algum troféu de futebol, celebramos o triunfo da garra charrua.

GALEANO, Eduardo. O caçador de histórias. Porto Alegre: L&PM, 2016. p. 55.

terça-feira, 7 de abril de 2015

A questão indígena na América 4: Política de "pacificação" e projetos de integração no Brasil

Índios Munduruku, Hércules Florence

"Branco é pessoa muito triste. Talvez por isso ele faça tanto mal". (Mário Juruna, Cacique xavante)

Em 1808, dom João VI assinou uma carta régia autorizando a "guerra justa" contra os botocudos, nome pelo qual eram conhecidos os Aimoré desde o século XVIII. Pertencentes ao grupo linguístico macro-jê, os Aimoré eram nômades e viviam na região correspondente à dos atuais estados de Minas Gerais e Espírito Santo.

Os botocudos e os Puri eram considerados os principais obstáculos ao avanço de colonização portuguesa, uma vez que, desde 1760, combatiam bandeirantes e colonos que tentavam se instalar na área controlada por eles. Por essa razão, eram constantemente perseguidos e mortos pelos colonizadores, com o aval do governo.

Sobre os botocudos, nessa época, circulavam lendas e imagens que os representavam como ferozes e cruéis, o que colaborava para o temor e o ódio dos colonos a esses povos. Entre 1808 e 1821, várias expedições foram enviadas para combatê-los. Em contrapartida, também crescia o número de alianças e acordos entre indígenas e descendentes de europeus.


Família de Botocudos em marcha, Jean-Baptiste Debret

Vários parlamentares defendiam a conversão dos indígenas ao catolicismo a fim de transformá-los em trabalhadores e súditos. Para isso, foi fundada em 1830 a Sociedade de Catequese e Civilização dos Índios. Em 1831, após o imperador dom Pedro I abdicar do trono, o Senado iniciou uma série de debates sobre a questão indígena, que resultaram, nesse mesmo ano, na proibição das guerras justas e na revogação da Carta Régia de 1808.

Para a "pacificação" dos indígenas por meio da catequese, a partir de 1843, o governo patrocinou a vinda de frades capuchinhos da Itália. A adoção dessa política contava com o apoio de intelectuais do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB), fundado em 1838. Em sua publicação oficial, a Revista do IHGB, defendiam a aculturação do indígena e sua utilização como mão de obra.

Essa política governamental foi formalizada, em 1845, com a publicação do Regulamento acerca das missões de catequese e civilização dos índios. O governo previa a reunião dos indígenas em missões ou aldeamentos oficiais controlados pelos capuchinhos. Tais instalações seriam gradativamente desfeitas e transformadas em vilas, paróquias ou freguesias quando os indígenas estivessem catequizados. Nessa etapa, as famílias indígenas receberiam lotes de terra, abandonando seu modo de vida comunitário, seus costumes e seus valores, a fim de se tornar "civilizados".

Com a chegada dos capuchinhos, os botocudos foram "pacificados" e transferidos para aldeamentos oficiais, em geral próximos a povoados. No entanto, os indígenas não se limitavam a ocupar as terras previamente demarcadas. Muitas vezes, insurgiam-se contra os religiosos por estes manterem crianças sob sua tutela, nas escolas de internatos. Em 1893, ocorreu um levante de cerca de 700 indígenas, no aldeamento de Itambacuri, em Minas Gerais. Boa parte dos rebeldes foi perseguida e morta.

No sudeste do Brasil, a expansão da cafeicultura e das ferrovias promoveu o extermínio de vários povos. Durante o Segundo Reinado, além dos botocudos, foram objeto da perseguição governamental grupos como os Kaingand (que ocupavam áreas do sul e do sudeste), os Mura e os Munduruku (que viviam na Amazônia), os Kayapó (habitantes da fronteira entre Minas e Goiás) e, já na Primeira República, os Guajajara (que viviam no Maranhão), por dificultarem o processo de expansão e a instalação de missões, latifúndios e povoados.

NAPOLITANO, Marcos; VILLAÇA, Mariana. História para o ensino médio: volume 2. São Paulo: Saraiva, 2013. p. 215-217.

domingo, 5 de abril de 2015

A questão indígena na América 3: Política de deportação no México

E eu vejo que o Reino em breve será destruído
Terá fim do México a soberania!
Eis que me afasto e choro
por ter decretado a este país
ser subjugado e totalmente aniquilado.
(Antigo canto fúnebre mexicano)


No século XIX, os governos de diversos países americanos, entre os quais o México, adotaram projetos políticos liberais que, em geral, incluíam a abolição de terras comunais indígenas.

As leis que extinguiam todas as formas coletivas ou corporativas de posse da terra afetaram intensamente as comunidades indígenas. Os vínculos indígenas de alguns líderes do governo, como o presidente do México Benito Juárez (1867-1872), de ascendência zapoteca, não refrearam a promulgação dessas medidas, consideradas, na época, necessárias ao "progresso", pois promoveriam a incorporação dos nativos ao Estado mexicano. Os indígenas, entretanto, não se tornaram pequenos proprietários e se rebelaram contra o governo, que, além de reprimi-los por meio de conflito armado, utilizou, como tática de contenção, a estratégia da deportação em massa.

Tal procedimento foi utilizado com os yaquis, que habitavam o norte do México e acumularam um histórico de revoltas no século XIX.

Após uma tentativa frustrada, na década de 1820, de união com outros povos para conquistar a emancipação de seu território, os yaquis rebelaram-se novamente em 1868. Nesse episódio, 150 indígenas que estavam em uma igreja foram queimados vivos.


Um grupo de cerca de 44 mulheres e crianças yaqui prisioneiros sob guarda, México, 1910. Fotógrafo desconhecido

Após as reformas liberais, os yaquis que viviam no território mexicano iniciaram uma guerra contra o governo em defesa de suas terras, no qual tiveram apoio dos apaches e dos yaquis que haviam emigrado para os Estados Unidos. As tropas federais foram mobilizadas para reprimi-los, mas sofreram seguidas derrotas, até que, em 1896, o governo decidiu empreender a deportação desses indígenas para a península de Yucatán, onde os deportados foram submetidos a trabalho escravo em plantations. Essa solução pôs fim à guerra, mas significou a quase extinção desse grupo indígena.


Um grupo de mais de 30 prisioneiros yaqui escoltados por soldados mexicanos, México, 1910. Fotógrafo desconhecido

Entre 1876 e 1910, o governo de Porfírio Díaz (1830-1915) persistiu na gradual eliminação das terras comunais e na concepção de que era preciso "educar" os indígenas. A situação de miséria e opressão dos camponeses, a maioria de origem indígena, agravou-se. Em reação a essa situação, na virada do século, emergiu um movimento agrário, com grande participação indígena, que foi um dos pilares da Revolução Mexicana desencadeada em 1910.

NAPOLITANO, Marcos; VILLAÇA, Mariana. História para o ensino médio: volume 2. São Paulo: Saraiva, 2013. p. 214-215.

sexta-feira, 3 de abril de 2015

A questão indígena na América 2: A política de confinamento nos Estados Unidos

"[...] e imediatamente entrou na tenda onde tinha estado antes, trazendo uma tocha e colocando-a sobre as mantas que cobriam o abrigo, depois que tudo começou a arder [...] e depois que o fogo estava bem pegado, os índios corriam para fora com ar estupefato. E, com efeito, o Todo-Poderoso deixou cair sobre eles tal terror, que fugiam de nós e se atiravam dentro das chamas, onde muitos pereciam. Depois que o forte se queimou inteiramente, foi dada ordem para que todos os soldados saíssem e o rodeassem, o que foi feito imediatamente. O fogo foi ateado a noroeste, a favor do vento; isto fez com que se espalhasse rapidamente pelo forte, para a surpresa do inimigo, e para grande satisfação nossa. Alguns deles subiam à ponta das paliçadas; outros corriam para dentro das chamas; muitos outros, reunindo-se a barlavento, atiravam flechas contra nós; dávamos o troco mandando-lhes carga de chumbo; outros, muito fortes, mais ou menos quarenta, segundo calculamos, morreram pela espada [...] E assim, em pouco menos de uma hora, o que era antes um forte inexpugnável, estava completamente destruído, com perda de 600 ou 700 índios [...]". (Depoimento do Capitão John Mason sobre o extermínio de índios. HUBERMAN, Leo. Nós, o povo. São Paulo: Brasiliense, 1966. p.15.)

O governo estadunidense, apesar de não declarar oficialmente guerra contra os indígenas, mobilizou regimentos de cavalaria para expulsá-los de suas terras a partir de 1778. As últimas terras a ser ocupadas, entre a costa do Pacífico e o rio Mississípi, constituíam o chamado Grande Deserto.

A ocupação de terras indígenas era amparada legalmente. A Lei de Remoção dos Índios, decretada em 1830, determinava a transferência das populações nativas para reservas demarcadas pelo governo, a oeste do rio Mississípi. Essa lei beneficiou, até o final do século XIX, cerca de 600 mil colonizadores, mas não foi suficiente: a pressão exercida pelos colonos que participaram da conquista do oeste afetou também as reservas indígenas. Eles eram atraídos pelas terras próximas a ferrovias ou por lotes mais distantes oferecidos pelo governo por meio do Homestead Act.

Outro impulso à ocupação do oeste dos Estados Unidos que afetou as áreas indígenas foi a descoberta de ouro na Califórnia, em 1848. Entre 1859 e 1876, ocorreu na região um processo de rápido povoamento, acompanhado pela instalação de ferrovias, que obrigou os indígenas a se deslocar em direção ao Pacífico. Simultaneamente, para viabilizar a criação de gado, os estadunidenses promoveram a matança de manadas de búfalos que garantiam a subsistência de vários grupos indígenas.

Indígenas caçando para viver... Caça ao búfalo, com máscara de pele de lobo, George Catlin

... Brancos caçando por lazer. Ilustração para a novela "César Cascabel" (1890), de Jules Verne. Desenho de George Roux

Os navajos, cheyennes, arapahos, shawnees, sioux e apaches, que habitavam o sudoeste dos Estados Unidos, foram alguns dos povos que resistiram mais tempo à colonização. Os apaches, entre 1851 e 1890, travaram conflitos com colonos e tropas estadunidenses na região do Arizona: as chamadas Guerras Apaches.


A luta de Custer, Charles Marion Russel

Um episódio marcante das guerras entre as tropas federais e povos indígenas foi a batalha de Little Big Horn, na região de Montana, em 1876. Nessa ocasião, os líderes indígenas Tatanka Iyotaka - o Touro Sentado (c. 1831-1890) - e Cavalo Louco (c. 1840-1877) lideraram cerca de 3 mil indígenas sioux e cheyennes na batalha contra o Sétimo Regimento de Cavalaria estadunidense. Os indígenas venceram a batalha, mas sofreram intensa repressão do governo, que os perseguiu e autorizou garimpeiros a ocupar suas terras*.

Em 1890, cerca de 400 sioux, principalmente mulheres e crianças, foram massacrados pelas tropas dos Estados Unidos, em Dakota do Sul. Esse episódio não seria o último entre indígenas e estadunidenses. (NAPOLITANO, Marcos; VILLAÇA, Mariana. História para o ensino médio: volume 2. São Paulo: Saraiva, 2013. p. 212-213.)

* "Onde estão hoje os pequot? Onde estão os naragansett, os moicanos e muitas outras tribos outrora poderosas? Desapareceram diante da avareza e da opressão do Homem Branco, como a neve diante de um sol de verão. Vamos nos deixar destruir, por nossa vez, sem luta? Renunciar a nossas casas, a nossa terra dada pelo Grande Espírito, aos túmulos de nossos mortos e a tudo que nos é caro e sagrado? Sei que vão gritar comigo: Nunca! Nunca! (Tecumseh, dos shawnees. BROWN, Dee. Enterrem meu coração na curva do rio. São Paulo: Melhoramentos, 1973. p. 19.)


Corrida de canoa perto de Sault Ste. Marie, George Catlin

Referências:

BROWN, Dee. Enterrem meu coração na curva do rio. São Paulo: Melhoramentos, 1973. p. 19.

HUBERMAN, Leo. Nós, o povo. São Paulo: Brasiliense, 1966. p.15

NAPOLITANO, Marcos; VILLAÇA, Mariana. História para o ensino médio: volume 2. São Paulo: Saraiva, 2013. p. 212-213

quarta-feira, 1 de abril de 2015

A questão indígena na América 1: A política de extermínio na Patagônia

Epopeia do Chile, Pedro Subercaseaux

"Soldados do Exército Expedicionário ao Rio Negro [...]


Para o assombro de todos os nossos cidadãos, em pouco tempo fizestes desaparecer as numerosas tribos dos pampas, que se faziam crer invencíveis, pelo pavor que o deserto nos inspirava, e que eram como um legado fatal que as gerações  argentinas teriam ainda que transmitir umas às outras, por séculos.

[...]

Dentro de três meses estará tudo concluído. Mas a República não termina no rio Negro: mais além acampam numerosos enxames de selvagens, que são uma ameaça para o futuro e aos quais é necessário submeter às leis e usos da nação [...].

[...] Lá iremos, ainda que se ocultem nos vales mais profundos dos Andes ou se refugiem nos confins da Patagônia. (PASSETTI, Gabriel. Indígenas e criollos: política, guerra e traição nas lutas no sul da Argentina (1852-1885). São Paulo: Alameda, 2012. p. 262-263.)

Esse discurso, proferido pelo general Julio Argentino Roca (1843-1914) ao exército expedicionário argentino, em 28 de abril de 1879, revela a concepção que, no século XIX, os governos dos países da América tinham dos indígenas americanos, considerados um "legado fatal" do qual era preciso livrar as novas gerações.

Esses povos, por sua vez, eram muitos, estavam dispostos a se defender, conheciam bem o território, faziam negócios e estabeleciam alianças com os "brancos".

Como lidar com milhares de indígenas que atrapalhavam o crescimento econômico, o avanço das fronteiras e o branqueamento das populações, segundo as concepções das elites coloniais?

Os conflitos entre criollos e indígenas no território que viria a ser a Argentina se estenderam por mais de três séculos. O oeste e o sul do território eram habitados pelos pampas, ranqueles, pehuenches e tehuelches.

Desde o século XVIII, também viviam nas região os mapuches, que haviam partido do sul do atual Chile em razão do processo de conquista e ocupação militar empreendido pelo governo chileno. A política de expansão e controle executada no Chile recebeu o nome de pacificação da Araucanía e ocorreu entre 1861 e 1883. Expulsos da região onde viviam, os mapuches foram para o território argentino em busca das possibilidades de caçar gado selvagem (o cimarrón) e firmar negócios com os criollos.

Cornelio Saavedra, oficial chileno, em reunião com caciques mapuches durante a primera fase da Ocupacão da Araucanía, Manuel Olascoaga

No território argentino, ao ser gradativamente expulsos das regiões mais férteis dos pampas, os mapuches e vários e vários outros grupos indígenas passaram a sobreviver do gado roubado de estâncias e vendido em diversos mercados informais, em regiões mais distantes. As rotas de compra e venda de gado e outros artigos estendiam-se da costa do Pacífico à costa do Atlântico e eram conhecidas como rastrillados.

Por representar ameaça aos estancieiros, o governo argentino combateu os indígenas dessa região e construiu uma grande rede de fortes para proteger a província de Buenos Aires. Diante dessa situação, alguns grupos indígenas buscaram se aliar a criollos interessados em participar dos negócios feitos nas rastrilladas, ao passo que outros permaneceram em guerra com o governo até o final do século XIX.

Em 1833, durante o governo do caudilho Juan Manuel de Rosas (1793-1877), foram empreendidas expedições militares com o objetivo de mapear e dominar o território e exterminar os indígenas que viviam nos pampas úmidos (planícies férteis) e na Patagônia oriental.

Lê-se na legenda: “Expedição nos desertos do Sul contra os índios selvagens, no ano de 1833, executado com o maior acerto e sabedoria por seu chefe o grande Rosas”, Calixto Tagliabúe


Os integrantes das expedições de 1833 atacaram vários grupos indígenas e massacraram os habitantes de muitos tolderias*, mas não eliminaram todos os povos da região. Os resistentes firmaram alianças que resultaram na formação de duas grandes confederações, uma controlada pelos ranqueles e outra pelos mapuches, liderados por Juan Calfucurá (?-1873). Após longa luta, a primeira se rendeu e, depois de estabelecer um acordo com o governo, aceitou a catequese e passou a viver de provisões enviadas pelo Estado. A outra confederação, no entanto, resistiu.

Entre 1864 e 1870, as ações militares foram interrompidas por causa da Guerra do Paraguai. Os indígenas liderados por Calfucurá aproveitaram essa trégua para invadir a província de Buenos Aires, em busca de gado, ouro e provisões.

Paralelamente a esses acontecimentos, ocorria o processo de unificação do Estado argentino, com a incorporação de Buenos Aires à Confederação Argentina, em 1882, e a eleição de Bartolomé Mitre (1821-1906) para presidente. O novo governo empenhou-se no combate aos indígenas.

Em 1877, teve início a Campanha do Deserto, liderada pelo general Julio Argentino Roca. A ação militar recebeu esse nome porque as autoridades consideravam que as terras do sul estavam desertas de colonos e de "civilização". Outro objetivo do governo argentino ao empreender a Campanha do Deserto era impedir que o Chile e a Inglaterra instalassem colônias na região. Durante a campanha, as tropas do exército argentino promoviam ataques-surpresa, no meio da madrugada, às tolderias e massacravam seus habitantes. Em 1879, foram enviados 6 mil soldados, e outras expedições se sucederam até 1885, ano em que ocorreu a rendição do último cacique livre, Valentin Saygueque.

Fragmento do quadro "Conquista do deserto", Juan Manuel Blanes

Ao fim da Campanha do Deserto, o Estado argentino incorporou todo o sul da Patagônia a seu território. Guerreiros sobreviventes foram confinados numa prisão na ilha Martin Garcia, onde morreram de fome e de doenças. Mulheres e crianças foram distribuídas entre famílias ricas de Buenos Aires como empregadas, convertendo-se em mão de obra barata.

Mulheres mapuches (araucanas) no início do século XX. Fotógrafo desconhecido

* Tolderias eram conjuntos de habitações ou povoados indígenas, formados por toldos ou barracas, que eram transferidos de lugar periodicamente.

NAPOLITANO, Marcos; VILLAÇA, Mariana. História para o ensino médio: volume 2. São Paulo: Saraiva, 2013. p. 209-212.