"Os espelhos estão cheios de gente.
Os invisíveis nos vêem.
Os esquecidos se lembram de nós.
Quando nos vemos, os vemos.
Quando nos vamos, se vão?"
Eduardo Galeano: Espelhos
Mostrando postagens com marcador Revoltas sociais. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Revoltas sociais. Mostrar todas as postagens

sábado, 12 de março de 2016

A crise do regime monárquico (1870-1889)

Uma série de fatores contribuiu, a partir de 1870, para a crise do regime monárquico. O mais importante foi o descontentamento causado pela disparidade entre a riqueza das províncias e sua participação política. Na Câmara dos Deputados predominava a região Nordeste, enquanto Bahia, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Pernambuco lideravam a composição dos ministérios e a escolha do presidente do Conselho. Herança da tradição política que emergiu da construção do Estado nacional, esse privilégio contrastava, no fim do século XIX, com a importância econômica de São Paulo, centro mais dinâmico e rico da economia nacional, e do Rio Grande do Sul, com seu papel destacado no comércio interprovincial.

A disparidade gerou nas duas províncias um forte ressentimento contra o regime monárquico, amplificando o movimento republicano surgido na década de 70, com a proliferação de clubes e partidos republicanos. O movimento em favor da instituição da República, basicamente urbano, teve um eco significativo nas províncias com alto grau de urbanização, como Minas Gerais e Rio de Janeiro.

A insatisfação crescente da população livre e pobre, que via sua miséria aumentar dia a dia com os altos impostos, também contribuiu para o desgaste do regime. Assim, diante de novas taxações, explodiram revoltas como a do Vintém e a do Quebra-Quilos, além de surgirem movimentos messiânicos como o dos Muckers. Nesse momento, depois da Guerra do Paraguai, o Exército surgia como uma nova força no cenário político. Respaldado por suas vitórias, sentia-se insatisfeito com a negligência por parte da monarquia em relação a seus interesses corporativos.


Bonde puxado por burro como era na época da Revolta do Vintém

Por fim, a abolição da escravidão, em 1888, tirou da monarquia o apoio dos barões do café do Rio de Janeiro, sua última base de sustentação econômica e política. Vítima de suas próprias contradições, o regime monárquico não foi capaz de oferecer resistência ao golpe desfechado em 1889, que instalou a República no país.

CAMPOS, Flávio de; DOLHNIKOFF, Miriam. Atlas História do Brasil. São Paulo: Scipione, 1993. p. 34.

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Thomas Müntzer e a revolta camponesa

Texto 1. Thomas Müntzer foi, a princípio, um discípulo de Lutero e por este nomeado pastor. Müntzer, exaltado e violento, logo ultrapassou as ideias do mestre. Com um grupo de seguidores, deixou de se apoiar nas Escrituras e passou a se orientar pela voz do Espírito que dizia falar dentro dele. Retomando tradições antigas, a firmava que o fim do mundo se aproximava, que era preciso formar comunidades de eleitos para aguardar esse momento. Pregava também a revolução social, a luta contra os senhores e os príncipes, em favor dos camponeses. "Todos os bens devem ser divididos entre todos", afirmava Müntzer ao reivindicar uma reforma agrária, a abolição do trabalho servil, dos privilégios e dos impostos.


Thomas Müntzer, Escola alemã.

Os partidários de Müntzer foram expulsos sucessivamente de várias localidades até se estabelecerem, em 1525, na cidade de Mühlhausen e tornarem-se os líderes do movimento camponês na região. Depois de alguns meses de luta, o pequeno exército rebelde foi destruído. Müntzer, capturado, foi torturado e executado em público. (VEIGA, Luiz Maria. A Reforma Protestante. São Paulo: Ática, 1990. p. 28-29.)

Texto 2. Enquanto no campo católico conservador se agruparam todos os elementos interessados na conservação do que existia, quer dizer, do poder imperial, dos príncipes eclesiásticos e parte dos seculares, dos nobres ricos, dos prelados e do patriciado das cidades, a reforma luterana burguesa e moderada agrupa os elementos opositores bem instalados na vida: a massa da pequena nobreza, a burguesia e até parte dos príncipes seculares que queriam enriquecer arrebatando os bens do clero e que aproveitaram esta oportunidade para conseguir independência maior do poder imperial. Os camponeses e plebeus por fim formaram o partido revolucionário, cujo porta-voz mais ardente foi Thomas Müntzer.

[...] Ao estourar a guerra camponesa em regiões onde os príncipes e a nobreza eram na maioria católica, Lutero logo assumiu uma atitude conciliadora. Arremeteu contra os governos atribuindo-lhes a culpa da insurreição que, segundo ele, era devida à opressão que exerciam. Para ele, não eram os camponeses que opunham resistência: era o próprio Deus. Por outro lado, a sublevação era também ímpia e contrária ao Evangelho. Finalmente aconselhou ambas as facções a fazerem concessões e se reconciliarem [...].

A Lutero, reformador burguês, oponhamos Müntzer, revolucionário plebeu [...].

[...] Em 1522 fez-se pregador em Alstadt. Ali começou a reformar o culto. Suprimiu completamente o uso do latim, antes de Lutero se atrever a fazê-lo, deixando que se lesse a Bíblia inteira e não somente as epístolas e os evangelhos de rigor no culto dominical. Ao mesmo tempo organizava a propaganda na região. O povo acudia de toda parte e Alstadt veio a ser o centro do movimento anticlerical popular em toda a Turíngia.

Müntzer continuava sendo o teólogo, seus ataques dirigiam-se quase exclusivamente contra o clero. Porém, não propugnava a discussão pacífica e o progresso legal como já o fazia Lutero. Saiu, pelo contrário, pregando a violência, conclamando à intervenção armada contra os padres romanos. (ENGELS, Friedrich. As guerras camponesas na Alemanha. São Paulo: Grijalbo, 1977. p. 37-49.)

NOTA: O texto "Thomas Müntzer e a revolta camponesa" não representa, necessariamente, o pensamento deste blog. Foi publicado com o objetivo de refletirmos sobre a construção do conhecimento histórico.

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

O Cristianismo

O cristianismo antigo tem duas etapas históricas claramente distintas. Houve uma primeira fase em que se difundiu pelas comunidades judaicas da Ásia Menor e do Egito e que “incluía uma grande variedade de vozes, um extraordinário leque de pontos de vista”. Na Síria e no Egito, convivia com seitas judias diversas, antes da fase de predomínio do gnosticismo, em que a doutrina se impregnou de traços do pensamento oriental e do paganismo greco-romano. Era lógico que as diferenças doutrinais não fossem vistas como decisivas a grupos que compartiam a crença de que o fim do mundo estava próximo. Este componente escatológico, herdado da tradição apocalíptica que florescia na Palestina nos tempos de Cristo, foi um elemento fundamental do cristianismo ao redor do ano 200 quando, não tendo chegado o fim do mundo, os cristãos voltaram à vida normal. Desde este momento, as posturas extremas sobre o ascetismo conservaram-se apenas entre os grupos mais extremados do cristianismo oriental. Na cristandade ortodoxa, a norma da castidade absoluta ficou para os “pais do deserto” – os ascetas egípcios ou os eremitas da Síria ou Capadócia -, de quem os monges a tomaram e, só gradualmente e muito mais tarde, generalizou-se no clero secular.

Folio Papiro 46 contendo 2 Corintians, 11:33-12:9 (uma das primeiras coleções do século III das epístolas paulinas)

ενσαργανηεχαλασθηνδιατουτειχουσ
καιεξεφυγοντασχειρασαυτουκαυχασ
θαιδειουσυμφερονμ[ε]νελευσομαιδε
εισοπτασιασκαιαποκαλυψεισκυοιδα
ανθρωπονενχωπροετωνδεκατεσσαρων
θιτεενσωματιουκοιδαειτεεκτοστουσω
ματοσουκοιδαοθσοιδεναρπαγεντατον
τοιουτονεωστριτουουρανουκαιοιδατον
τοιουτονανθρωπονειτεενσωματιειτε
χωριστουσωματοσουκοιδαοθσοιδενοτι
ηρπαγηεισυονπαραδεισονκαιηκουσεν
αρρηταρηματααουκεξονανθρωπωλα
λησαιυπερτουτοιουτουκαυχησομαιυπερ
δεεμαυτουουδενκαυχησομαιειμηενταις
ασθενειαισεανγαρθελωκαυχησομαι
ουκεσομαιαφρωναληθειανγαρερω
φειδομαιδεμητισεμελογισηταιυπερ
οβλεπειμεηακουειτιεξεμουκαιτη
υπερβολητωναποκαλυψεωνιναμη
υπεραιρωμαιεδοθημοισκολοψτησαρκι
αγγελοσσαταναιναμεκολαφιζηινα[μη]
υπεραιρωμαιυπερτουτουτρις[τονκυριον]
παρεκαλεσαινααποστηα[πεμουκαιει]
ρηκενμοιαρκεισοιηχα[ρισμουηγαρ]
δυναμισ[ενασθενειατελειταιηδισταουν]

A segunda etapa da história do cristianismo antigo é a de sua associação com o poder político do Império Romano, que o transformou em um “governo eclesiástico paralelo ao secular”, que com ele colaborava no cumprimento dos decretos imperiais. Seu caráter plural e comunitário desapareceu. O cristianismo transformou-se na Cristandade, que via a si mesmo como uma comunidade unitária e hierarquizada aspirava incluir todos os homens, estendendo seu controle a todas suas atividades.

Desde o primeiro momento, o imperador Constantino deu um sentido político a sua aliança com o cristianismo. A Igreja seria um dos apoios essenciais do império cristão que sobreviveria no Oriente até o século XV. No Ocidente, onde a estrutura imperial ruiu muito antes, a Igreja tentou restabelecê-la com a coroação de Carlos Magno em Roma ou com o papado imperial, que levaria os pontífices romanos a reunir o poder político e a função sacerdotal na sua pessoa, como herdeiros do império.

Nesta nova situação, criada pelo reconhecimento político do cristianismo, não podia permanecer a convivência pacífica das diversas correntes; era necessário eliminar os dissidentes: hereges e cismáticos. Os primeiros dissidentes perseguidos, os donatistas do norte da África, não discordavam na doutrina, mas se opunham à aliança do cristianismo com o poder político; consideravam-se os autênticos herdeiros da Igreja dos mártires e condenavam os que se aliavam ao império, valendo-se da força deste para impor-se nas divergências entre os cristãos. Alguns fiéis optaram por soluções pessoais que não ameaçavam a Igreja hierárquica e eram aceitos por esta, como os amacoretas, que se retiraram para o deserto, ou os monges, que se encerravam em mosteiros para levar vida em comum.

A “oficialização” do cristianismo não deve ser confundida com a cristianização do império, que se produziu a longo prazo e em uma série de etapas. O século IV foi um período de convivência pacífica em que a velha religião continuou a abrir templos, receber subsídios e regular a passagem do tempo com suas festas. Após a fugaz restauração do paganismo por Juliano, a situação começou a ser modificar com Teodósio I, que apoiou o estabelecimento da unidade religiosa através da força: fechou os templos pagãos e condenou os sacrifícios de animais como atos de alta traição.

Apesar das mediadas repressivas, entretanto, os sacrifícios continuariam a ser feitos de forma clandestina. Seriam necessárias perseguições e campanhas militares para acabar com as últimas comunidades pagãs, o que parece não ter acontecido até o século IX (os pagãos tinham, agora, mártires como Hypatia, uma professora de filosofia que foi apedrejada em Alexandria pelos seguidores do bispo). Frente a esta situação, os últimos filósofos pagãos começaram a fugir para a Mesopotâmia, onde estabeleceram uma comunidade que conservou a cultura grega e a transmitiu ao mundo islâmico.

A igreja cristã de Roma não era única. Havia, para começar, a do Oriente, quer dizer, a que seguiu associada ao império (que chamamos de bizantino) e que, depois, esteve associada aos novos poderes que os substituíram: o sultão turco ou os soberanos de cada país nas diversas igrejas nacionais. Houve também uma cristandade asiática muito importante que, no século XIII, se estendia desde o Egito até o mar da China, com núcleos relevantes na Mesopotâmia, Armênia, Cáucaso e Síria, e com conventos na Ásia Central, entre os turcos e mongóis.

A maior das igrejas cristãs asiáticas foi a nestoriana. Sua origem remonta à Igreja persa, que se tornou independente do Ocidente em 424, rompendo seus laços com Bizâncio. Seu chefe, o catholicos, residia em Ctesifonte, porém a atividade missioneira pela rota das caravanas criou comunidades cristãs desde Java até Azerbaijão. Em 1009, os kerait, o maior e mais culto dos povos mongóis da Ásia central, converteram-se ao cristianismo nestoriano. Mais tarde, seriam dominados por Genghis Khan, que respeitava as religiões dos povos que integravam seu império, não faltando, entre seus sucessores, quem mostrasse simpatia pelos cristãos.

Os mongóis foram, durante muito tempo, a grande esperança do cristianismo do Ocidente. Em 1258, organizaram uma cruzada que reconquistou Alepo e Damasco, onde as tropas vencedoras entraram em 1260 com um general nestoriano mongol na liderança, acompanhado de um príncipe armênio e de um cruzado ocidental. Porém, não encontraram apoio nem nos cruzados de Jerusalém nem no papa de Roma, que preferia a aniquilação dos hereges ao triunfo de um cristianismo plural (de forma semelhante, os cristãos do Ocidente permaneceram, mais tarde, indiferentes à tomada de Constantinopla pelos turcos).

Enquanto que se produzia o grande movimento de fechamento e de intolerância que, de 950 a 1250, converteu a Europa numa sociedade repressora (a perseguição aos judeus, a segregação dos grupos minoritários, o estabelecimento da Inquisição e o uso da tortura judicial), iniciava-se uma grande etapa de florescimento das heresias, que culminou nos séculos XII e XIII, durando até o XV. Era uma conseqüência da crise da igreja e da vontade de reforma que haviam surgido entre o clero e entre os fiéis.

Um dos pontos centrais de oposição à hierarquia da Igreja era a pretensão de impor, ao conjunto da sociedade, o monopólio da interpretação religiosa por parte dos clérigos ordenados, reduzindo o fiel à posição de receptor passivo de uma religião que lhe era transmitida exclusivamente pela via oral. Em seu afã por recuperar a pureza do cristianismo primitivo, os críticos da Igreja retomariam diretamente os textos, especialmente o das escrituras. Por mais limitada que fosse a alfabetização, parece claro que a heresia a havia estimulado com as traduções de textos bíblicos às línguas “vulgares”, como as que sabemos que foram feitas em Languedoc, na França ou na Catalunha, no século XIII.

A história destes movimentos chegou-nos na versão dos seus repressores, que ressaltaram os aspectos doutrinais e os ritos que divergiam dos “ortodoxos”, acrescentando-lhes uma carga de maldade diabólica, ao mesmo tempo que omitiam as queixas dos dissidentes contra a Igreja oficial.

Este é, por exemplo, o caso dos cátaros, que têm sua origem no movimento dos bogomilos da Bulgária, onde se podem encontrar elementos do dualismo oriental – a crença de que o mundo está dominado, ao mesmo tempo, por um princípio do bem e um princípio do mal -, mas que foram perseguidos, principalmente, porque propugnavam um retorno da Igreja à pureza e à pobreza evangélicas e porque davam apoio à resistência dos camponeses contra o feudalismo. O catarismo do Languedoc, que influiu fortemente na Catalunha, defendia uma vida simples de trabalho e abrigava crenças mais próximas do patrimônio da cultura popular do que da teologia romana. Oferecia, aos fiéis, sermões e orações na língua vulgar e, o que era mais importante, o exemplo de uma Igreja que não exigia dízimos, nem excomungava, nem matava como fazia a de Roma e que não estava comprometida com os senhores feudais que oprimiam os camponeses. Representava, por tudo isso, uma ameaça à ordem estabelecida, justificando uma cruzada e repressão feroz.

Todos estes movimentos religiosos, que se relacionaram e se entrelaçaram sutilmente até chegar a guerra dos camponeses alemães do começo do século XVI, estão estreitamente associados a levantes sociais que torna-se difícil separá-los. O movimento inglês dos lolardos de Wycliffe coincide no tempo, e em alguns de seus protagonistas, com a grande rebelião de Wat Tyler (a revolta de 1381 que propunha liquidar com o feudalismo). Apesar das perseguições que sofreram, grupos de clérigos lolardos continuaram mantendo sua fé em segredo, sobrevivendo por mais de um século até acabar fundindo-se com o protestantismo. Eram, na sua maioria, manifestações de uma religião de artesãos, pregada diretamente nos círculos que liam a Bíblia traduzida em língua vulgar, como ocorria na Itália e na França com a dos valdenses, um movimento que pode ser qualificado de religião dos laicos.

Os escritos de Wycliffe tiveram relação com o aparecimento, na Boêmia, do movimento dos hussitas, de cujas ramificações, uma, a dos taboritas, fazia propostas radicais de transformação social. Enquanto organizavam-se seis cruzadas contra os hussitas, começavam, na Alemanha, movimentos que tinham um duplo componente religioso e social e que culminaram, em 1524, com o início da guerra dos camponeses e o movimento, duplo e paralelo, da Reforma e da Contrarreforma, que não apenas tendiam à renovação do cristianismo, mas à consolidação da ordem social.


FONTANA, Josep. Introdução ao estudo da história geral. Bauru: Edusp, 2000. p. 302-306.

terça-feira, 3 de setembro de 2013

O século XIV: uma época de adversidades

Ao iniciar-se o século XIV, a cristandade latina já havia atravessado mais de 250 anos de crescimento. No nível econômico, a produção agrícola expandira-se, o comércio e a vida urbana renasceram e a população aumentara. No nível político, os reis se haviam tornado mais poderosos, impondo maior ordem e segurança a grandes áreas. No nível religioso, o papado havia demonstrado seu vigor como líder espiritual da cristandade e o clero fora reformado. No nível cultural, forjara-se uma visão de mundo unificada, fundindo a fé com a razão.

Porém, na Baixa Idade Média (século XIV, aproximadamente), a cristandade latina foi afligida por sérios problemas. Os aumentos anteriores da produção agrícola não tiveram continuidade. O uso limitado de adubos e o pouco conhecimento sobre conservação esgotaram o solo. De 1301 a 1314, houve uma escassez generalizada de alimentos; de 1315 a 1317, fome e subnutrição assolaram a Europa, estendendo-se por todo o século.

Agravando ainda mais a situação criada pela crise econômica, houve também a Peste Negra, ou peste bubônica. A doença, levada pelas pulgas dos ratos pardos, surgiu provavelmente na Mongólia em 1331-32. Dali passou à Rússia. Levada de volta dos portos do mar Negro, a peste atingiu a Sicília em 1347. Alastrando-se rapidamente por grande parte da Europa, atingiu uma população já em declínio e subalimentada. A primeira crise durou até 1351, e outros surtos graves ocorreram em décadas posteriores. As cidades congestionadas tiveram os mais altos índices de mortalidade. Cerca de 20 milhões de pessoas, talvez – aproximadamente de um terço da população da Europa -, pereceram no pior desastre natural da história conhecida.


Os flagelantes de Tournai em 1349, Crônicas de Aegidius Li Muisis

Tomadas de pânico as massas foram arrastadas para a devassidão, ilegalidade e formas arrebatadas de vida religiosa. Bandos de flagelantes se organizaram, indo de uma região a outra vergastando-se mutuamente com varas e chicotes, numa tentativa desesperada de agradar a Deus – que acreditavam tê-los amaldiçoado com a peste. As formas de arte concentraram-se com cenas mórbidas de carne em decomposição, tumbas abertas cheias de cadáveres corroídos por vermes, danças da morte e tormentos do inferno. Por vezes, essa histeria voltava-se contra os judeus, acusados de terem causado a peste envenenando os poços. Ocorreram então massacres terríveis de judeus, apesar dos apelos do papado.

Os milhões de mortes afundaram a produção de alimentos e mercadorias, levando alguns preços a subirem acentuadamente. As tensões econômicas e sociais, algumas delas anteriores à peste, explodiram em rebeliões. Cada rebelião tinha uma causa própria específica, mas os levantes no campo caracterizaram-se por um padrão geral. Quando os reis e senhores, quebrando as relações sociais baseadas no costume, impuseram novos e onerosos regulamentos, os camponeses ergueram-se em defesa dos direitos tradicionais.

Em 1323, os camponeses livres de Flandres, cuja situação havia melhorado nas décadas anteriores, enfureceram-se com a tentativa dos nobres de restabelecer velhas obrigações senhoriais. Sua revolta durou cinco sangrentos anos. Em 1358, os camponeses franceses pegaram em armas em protesto contra os saques dos campos pelos soldados. Cerca de 20 000 camponeses morreram no levante conhecido como Jacquerie. Em 1381, os camponeses ingleses revoltaram-se contra a legislação que os prendia à terra e impunha novos tributos. Como as revoltas em Flandres e na França, o levante inglês também fracassou. Para a aristocracia fundiária, os camponeses eram pecadores que combatiam um sistema social ordenado por Deus. Possuindo superioridade militar, a nobreza subjugou os revoltosos, às vezes com violenta crueldade.

A inquietação atingiu também as cidades. Os assalariados de Florença (1378), os tecelões de Gand (1382) e os pobres de Paris (1382) rebelaram-se contra as oligarquias governantes. Essas revoltas foram iniciadas, em geral, não pelos mais pobres e mais sacrificados, mas pelos que haviam feito certas conquistas e ansiavam por mais. Como os levantes camponeses, as rebeliões dos pobres urbanos também foram esmagadas.

Também fizeram parte desse período de adversidades, a série de conflitos conhecida como Guerra dos Cem Anos. Como os reis ingleses haviam governado partes da França, os conflitos entre as duas monarquias eram comuns. No início da guerra, os ingleses infligiram terríveis derrotas aos cavaleiros franceses nas batalhas de Crécy (1346) e Poitiers (1356). Usando arcos de mão, que lhes permitiam disparar flechas rapidamente, os arqueiros ingleses destruíram ondas sucessivas da cavalaria francesa. A guerra continuou de maneira intermitente durante todo o século XIV. Nos períodos de trégua, grupos de soldados ociosos vagavam pelos campos franceses matando e roubando – ações que precipitaram a Jacquerie.

Depois da batalha de Azincourt (1415), vencida sob o comando de Henrique V, os ingleses passaram a controlar a maior parte do norte da França. A Inglaterra parecia estar na iminência de conquistar a França e unir os dois países sob a mesma coroa. Nesse momento crucial da história francesa, uma jovem camponesa analfabeta, Joana D’Arc (1412-1431), ajudou a salvar a França. Acreditando que Deus lhe havia mandado expulsar os ingleses, Joana reuniu as desmoralizadas tropas francesas, liderando-as em batalha. Em 1429, libertou a cidade sitiada de Orléans. Aprisionada pelos ingleses, foi condenada como herege e feiticeira, em 1431, por um tribunal religioso escolhido a dedo. Morreu queimada na fogueira. Inspirado pela morte de Joana, o exército francês expulsou os ingleses de todo o território francês, com exceção do porto de Calais.

Durante a Guerra dos Cem Anos, os reis franceses impuseram novos tributos, que aumentaram substancialmente suas rendas. Esses recursos proporcionaram-lhes meios de organizar um exército profissional de soldados bem pagos e leais. Evocando um sentimento de orgulho e unidade no povo francês, a guerra também contribuiu para a crescente, mas ainda incompleta, unidade nacional. Também os ingleses saíram do conflito com um senso de solidariedade maior. Mas a guerra teve conseqüências terríveis para os camponeses franceses, milhares de agricultores foram mortos e campos valiosos destruídos pelos exércitos ingleses e grupos de mercenários assaltantes. Num prodigioso avanço, a Guerra dos Cem Anos testemunhou, nos estágios finais, a utilização da pólvora e de artilharia pesada.


PERRY, Marvin. Civilização ocidental: uma história concisa. São Paulo: Martins Fontes, 2002. p. 199-203.

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Camponeses revoltados e pés descalços na Europa moderna

Revolta camponesa na Alemanha

Os filósofos e os intelectuais discutiam entre si acerca da ciência e da religião e trocavam cartas. Encontravam-se em reuniões, nas "academias", em salões burgueses de grandes damas parisienses ou nos palácios de certos príncipes europeus.

Mas, para uma grande maioria das pessoas, nada tinha mudado.

* Nas grandes cidades, os pobres e os mendigos contavam-se aos milhares. Um padre, Vicente de Paula, fez muito para lutar contra a pobreza.

Vicente de Paula era filho de um camponês das Landes. Capturado por piratas muçulmanos, foi vendido como escravo em Tunis. Conseguiu escapar e ocupar-se, por algum tempo, dos remadores de galeras. As galeras eram navios a remos utilizados no Mediterrâneo, cujos remadores eram prisioneiros ou condenados, por vezes, por um crime, outras por coisa nenhuma (Luís XV enviava os protestantes para as galeras).

Em seguida, Vicente procurou confortar os doentes pobres e as crianças abandonadas.

* Nos campos, os pobres eram ainda em maior número. A situação era diferente de acordo com cada país europeu.

Na Europa ocidental, a "servidão" tinha quase desaparecido, ou seja, o senhor já não tinha toda a espécie de direitos no que dizia respeito aos camponeses. Os nobres recebiam dinheiro pelas terras arrendadas ou uma parte das colheitas. Alguns camponeses tinham enriquecido - eram os "ricos da aldeia" - mas a maioria vivia na pobreza. Os "jornaleiros" sem terras alugavam a sua "força de trabalho" aos mais favorecidos ou iam para as cidades aumentar ainda mais o número dos infelizes.

Na Europa de Leste, a antiga Moscóvia tornara-se no século XVII numa Rússia poderosa com o czar Pedro o Grande a querer imitar os ocidentais. Os nobres possuíam vastas propriedades e eram, ao mesmo tempo, funcionários que executavam as ordens do czar. Os camponeses, na miséria, acabavam por ser reduzidos à servidão e não tinham o direito de abandonar a terra do senhor.

Entre o século XVI e o século XVIII, os camponeses mais miseráveis revoltaram-se um pouco por toda a Europa.

- Ao sul do Império Germânico, uma grande revolta, chamada Guerra dos Camponeses eclodiu em nome da Reforma de Lutero.

Os camponeses reclamavam a supressão de todos os impostos devidos à Igreja. Foram apoiados pelos artesãos das cidades, por soldados e por filhos de camponeses. Estas pessoas do campo queimavam e destruíam castelos e mosteiros. Os príncipes, sem saber o que fazer, cederam a princípio e depois fugiram, como o bispo de Estrasburgo. Mas Lutero, com receio das violências, acabou por dar razão aos príncipes. Os camponeses foram finalmente derrotados, os seus chefes torturados e condenados à morte, e os príncipes luteranos continuaram a ser poderosos e autoritários.

“Só há uma maneira desse 'povinho' fazer sua obrigação. É constrangendo-o pela lei e pela espada, prendendo-o em cadeias e gaiolas, da mesma forma como se faz com bestas selvagens... melhor a morte de todos os camponeses do que a morte dos príncipes... estrangulem os rebeldes como fariam com cães raivosos.." 
(Lutero, conclamando os príncipes alemães a reprimir a revolta camponesa)



Na Alsácia e na Lorena, províncias que nesse tempo faziam parte do Império, foram muitos os revoltosos.

- No reino de França, os camponeses revoltaram-se contra os impostos do rei. Distinguiam-se agora o clero, a nobreza e o "terceiro estado" (os burgueses e os camponeses). O clero e a nobreza eram as "ordens privilegiadas" e não pagavam impostos ao rei. Só o terceiro estado os pagava. Mas, muitas vezes, os habitantes das cidades eram dispensados pelo rei. O imposto caía sobretudo sobre os camponeses. Estes também deviam taxas e impostos à Igreja.

Devido às muitas guerras, o rei, para manter os seus exércitos, tinha cada vez mais necessidade de dinheiro. Homens ao serviço do rei, com o auxílio de "archeiros" (polícias armados), eram encarregados de colectar o imposto. Para mais, entre batalhas, os soldados residiam nas casas dos habitantes e não hesitavam em roubá-los.

Quando os camponeses já não podiam mais com a miséria, quando os impostos aumentavam muito, surgiam grandes revoltas. A sul do reino, mas também na Normandia, na Bretanha e na Flandres, estes "Farroupilhas", "Pés Descalços", "Bonés Vermelhos", "Lustucrus" e "Tamanqueiros" resolveram lutar.

Houve cerca de 500 revoltas na Aquitânia entre 1590 e 1715.

O sino da igreja da aldeia tocava a rebate e os homens punham-se ao caminho encorajados pelas mulheres. Por vezes, eram conduzidos pelo padre da paróquia, e outras eram protegidos por um pequeno senhor. Descalços ou de socos de madeira e com chapéus de abas muito largas, armados de paus e de forquilhas, estes homens juntavam-se aos revoltados das aldeias vizinhas. Saqueavam alguns castelos, pilhavam as caves em busca de bons vinhos e queimavam os papéis dos gabinetes de impostos.

Por vezes gritavam: "Viva o rei sem gabela!"

O rei continuava a ser para eles uma personagem sagrada, mas recusavam que os seus servidores interviessem na vida da sua aldeia e odiavam os "gabeludos", aqueles que recolhiam a gabela.

A revolta terminou mal, de maneira geral, e alguns rebeldes foram enforcados para servir de exemplo. Durante o reinado de Luís XIV, as tropas reais cercavam os camponeses e os prisioneiros eram massacrados ou enviados para as galeras. Luís XIV, que pretendia representar Deus na Terra, conseguiu dominar as revoltas.

No resto da Europa, em Portugal, na Escócia, em Espanha e no sul de Itália, numerosos grupos de camponeses se revoltaram. E na Rússia um chefe cossaco (um povo que permanecera nómada a sua da planície russa), Stenka Razine, encabeçou uma enorme multidão de camponeses revoltados. Esmagado pelas tropas do czar, foi condenado à morte e torturado. No século XVIII, um outro cossado, Pugatchev, fez com que se revoltassem milhares de camponeses ao fazer-se passar por um czar destronado. Prometeu a supressão dos impostos, da servidão e a distribuição de terras.

A czarina Catarina mobilizou vários exércitos para dominar essas revoltas, mas, depois destas, os problemas nunca mais acabaram completamente na vastidão dos campos da Rússia até as revoluções do século XX.

CITRON, Suzanne. A história dos homens. Lisboa: Terramar, 1999. p. 204-209.

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

A formação do mundo moderno

O cambista e sua mulher, Quentin Matsys

Para o homem medieval, toda sua existência, todas as ocorrências à sua volta giravam em torno de ideias religiosas, obedecendo a desígnios divinos. O mundo medieval [...] era um mundo fechado, estruturado em classes rigidamente distintas, dominado pela nobreza feudal, tendo poucos contatos com outros povos e escassos conhecimentos de outras terras.

Este mundo começou a modificar-se por volta do século XIV, com o despertar de novas ideias que, agindo nos setores políticos, culturais e econômicos, ajudaram a abrir o caminho para o início da assim chamada Idade Moderna.

A evolução política deu origem aos Estados Modernos; os senhores feudais foram substituídos por reis poderosos que, gradativamente, introduziram e aperfeiçoaram formas mais eficientes de governo.

No século XV o Renascimento trouxe às ciências e às artes um grande esplendor; enfatizando a liberdade do indivíduo, levou o homem a pensar e a agir por conta própria, independentemente dos interesses comuns da classe a que pertencia. O espírito de contínuas indagações individuais provocou o movimento que cindiu a Igreja universal, a Reforma.

Esse mesmo espírito impelia os homens a cruzar oceanos ainda inexplorados, em busca de riquezas e de aventuras em terras estranhas. Os descobrimentos ultramarinos desenvolveram o comércio, melhoraram as condições de vida, introduziram na Europa produtos até então raros ou desconhecidos. A vida urbana em expansão aumentou o bem-estar da classe média, vigorosa defensora do sistema da economia individualista, o chamado capitalismo, que transformaria a Europa no centro econômico do mundo.

O progresso que se afirmara na Europa durante o século XIII, trazido pelo florescimento das cidades, do comércio, da cultura, foi fortemente abalado, no século XIV, por uma série de crises das quais resultou o início da formação dos Estados Modernos.

* As crises do século XIV. O florescimento das cidades foi consequência do êxodo para os centros urbanos de populações rurais que levaram consigo a maioria de seus hábitos, como o de criar animais (vacas, porcos, galinhas, patos, gansos) à sua volta, para fins de abastecimento fácil. Esse hábito propiciou a proliferação de ratos e o alastrar de epidemias nas cidades, que cresciam desordenadamente sem dar atenção a condições de saúde e de higiene.

O florescimento do comércio foi sendo dificultado pela expansão dos turcos que, impondo-se como intermediários nas transações comerciais entre o Ocidente e o Oriente, prejudicaram todo o intercâmbio no Mediterrâneo. A burguesia, por sua vez, começou a sofrer os efeitos da incompatibilidade entre a economia feudal - fechada, auto-suficiente - e a nova economia em evolução - aberta, internacional -, o capitalismo.

A situação, cada vez mais tensa, tornou-se insustentável no início do século XIV, em consequência de colheitas arrasadas por um prolongado e rigoroso inverno. As populações europeias, em contínuo crescimento, agora subnutridas, depauperadas, foram presa fácil de epidemias que grassaram nas cidades medievais, causando a morte de milhares e milhares de pessoas. Fome e peste afligiram o povo; além disso, a produção agrícola, já bastante comprometida, diminuiu ainda mais após a deflagração da Guerra dos Cem Anos (1337-1453), entre França e Inglaterra, por motivos sucessórios.

Nesse mesmo período o prestígio do papa foi profundamente abalado pelo Cisma do Ocidente (1378-1417), isto é, pela eleição de dois papas, um com sede em Roma, outro com sede em Avignon, cidade francesa que já fora sede única do papado (1309-1337) por influência política da França.

A grande insegurança nos vários setores da vida europeia gerou uma série de graves revoltas sociais (Flandres, França, Florença, Inglaterra, Portugal, Liège).

Cena da Jacquerie, Jean Froissart

A necessidade de encontrar-se um poder regularizador, pacificador, unificador levou a burguesia a dar seu apoio aos reis. Foi-se impondo, aos poucos, a tendência centralizadora do ponto de vista administrativo, geográfico, cultural, esboçando assim os Estados Modernos, a Europa Moderna.

Por outro lado, necessidades de ordem econômica forçaram a Europa a procurar soluções que reativassem o comércio. Uma das soluções foi dar início à expansão geográfica através do Atlântico.

* O Estado Moderno. Com o apoio da burguesia, os reis, partindo de seus próprios domínios territoriais, puderam  pouco a pouco constituir um Estado unitário, caracterizado em grande parte pela comunhão de origem e língua de seus habitantes.

Para poder constituir os Estados nacionais, os soberanos confiaram inicialmente a elementos da classe burguesa a administração do reino, antes encargo dos senhores feudais.

Esses funcionários foram pagos pelo Estado para administrar a justiça e controlar a atuação de autoridades locais. Tendo quase todos eles realizado estudos jurídicos, buscaram reviver o direito romano, que reconhecia ao Estado plenos poderes, contribuindo assim para reforçar a autoridade do rei e diminuir cada vez mais a influência dos senhores feudais.

A par dessas medidas administrativas, os monarcas providenciaram a organização de exércitos permanentes, sob seu comando direto, a fim de não mais dependerem, em caso de guerra, das tropas que os senhores feudais deviam fornecer-lhes.

Batalha de Aljubarrota, Jean d'Wavrin

Para enfrentar as despesas necessárias à manutenção de funcionários e contingentes militares fixos, os reis organizaram sistemas tributários destinados a abranger o maior número de cidadãos e, assim, acelerarem a consolidação dos Estados nacionais. Na medida em que os poderes, político e administrativo. do Estado iam-se concentrando nas mãos da monarquia esta passou a simbolizar a unidade geográfica e cultural.

* Formação do Estado Moderno. Durante o século XV e início do século XVI, vencido o poderio dos senhores feudais, foram surgindo os Estados Modernos, através do fortalecimento da autoridade monárquica, da definição de fronteiras nacionais e da unidade linguística e cultural de cada povo.

Reino de Portugal
Foi o primeiro Estado Moderno da Europa, tendo fronteiras já delimitadas em 1383 com o advento da dinastia de Avis. A revolução que colocou no trono João I de Avis viu-se livre da nobreza feudal portuguesa e, depois da batalha de Aljubarrota (1385), firmou sua independência com relação às pretensões territoriais de Castela.

Reino da França
Reino da Inglaterra

Firmaram-se com o fim da Guerra dos Cem Anos (1453), cessando as pretensões inglesas sobre territórios franceses.
Reino da Espanha
Formado pela união dos reinos de Aragão e de Castela, que englobaram o território de Granada ocupado pelos árabes (1492) e o reino de Navarra (séc. XVI).

Reino da Polônia
Resultante da união entre os povos poloneses e lituanos, tendo como capital Cracóvia e porto principal Danzig.

Reino da Hungria
Constituído pelos povos húngaros e restaurado após derrota infligida aos turcos, tendo como capital Buda.

Reino da Boêmia
Constituído pela união dos povos checos, com capital Praga.

Reino da Rússia
Resultante da iniciativa dos príncipes de Moscou, que começaram a expansão geográfica, terminada (no séc. XVI) com a unificação de um vasto território.

Reino da Dinamarca
Reino da Suécia
Reino da Noruega

Formaram Estados, novamente separados no século XVI, após o rompimento da União de Kalmar, que os mantivera coesos desde o século XIV.
Confederação Suíça
Constituída inicialmente (séc. XIII) pela união de três cantões de povos germânicos, que no século XVI chegou quase às fronteiras atuais.

Alemanha
Itália
Irão surgir somente no século XIX. Até essa época os nomes da Alemanha e Itália referiam-se a regiões geográficas. Nesses territórios desenvolveram-se vários pequenos Estados, sem que nenhum conseguisse impor-se, resultando um equilíbrio de forças que impediu a formação do Estado alemão ou do Estado italiano. Entretanto, em cada um desses pequenos reinos ou principados, a evolução do conceito de Estado processou-se como nos demais países que se formaram na Europa.

HOLANDA, Sérgio Buarque de. (Org.)  História da Civilização. São Paulo: Nacional, 1980. p. 168-171.