"Os espelhos estão cheios de gente.
Os invisíveis nos vêem.
Os esquecidos se lembram de nós.
Quando nos vemos, os vemos.
Quando nos vamos, se vão?"
Eduardo Galeano: Espelhos
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quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Iconografia: Praça das três culturas

Praça das Três Culturas, Cidade do México

A foto retrata uma paisagem da Cidade do México. Nela podemos observar uma combinação ilustrativa das trocas culturais que ocorreram entre os colonizadores espanhóis e a civilização asteca. Em primeiro plano vemos as ruínas de um templo asteca, mantidos como objetivos culturais e turísticos. Mais ao fundo, a igreja barroca de Santiago Tlatelolco, a qual atesta a religiosidade católica do passado e do presente. Essa religiosidade é marcada por fortes influências das crenças tradicionais dos povos indígenas, resultando no sincretismo religioso que caracteriza o catolicismo latino-americano. Ao fundo e à esquerda vemos prédios modernos, de muitos andares, símbolos da modernidade capitalista, que abala não só os estilos de vida tradicionais, mas também a religiosidade de raízes coloniais.

PEDRO, Antonio; LIMA, Lizânias de Souza. História por eixos temáticos. São Paulo: FTD, 2002. p. 63.

quinta-feira, 30 de abril de 2015

Duas aquarelas de Rugendas: Porto da Estrela e Rua Direita

No Porto da Estrela está o mundo rural bem definido. Tropeiros, arrieiros de tropa, tocadores de tropa. Todos distinguíveis pelos seus trajes e pelo tirar o chapéu aos poderosos. Um arrieiro de tropa a cavalo, identificado pelo seu miserável capotão. Os escravos e os camaradas, descalços. E à vista outro importante diferencial. Os cavalos. Muitos fazendeiros na sua representação tinham potreiros nos quais criavam seus animais de sela. Cavalos inteiros para mostrar o quão exímios cavaleiros eles eram. A iconografia desta época mostrou a utilização de freios pesados, cavalos com pescoços em "chaleira", denotando a "mão pesada" dos ginetes e a tensão dos animais.

Porto da Estrela, Rugendas

Na Rua Direita estão os dois mundos: o rural e o urbano. Parece um "carnaval", mas é uma iconografia riquíssima para se entender o Brasil de então. Rei indo para o Palácio, transeuntes fazendo a vênia, procissão, comerciantes, tropeiros, rico casal em sua sege, escravos de quitanda com outros escravos, padres, prostitutas e vendeiros. Entretanto, todos sabiam o seu lugar, os seus limites. Havia uma "ordem" invisível a quem não a conhecesse, mas muito bem formalizada: o Paço, comerciantes, tropeiros e fazendeiros, os livres, os forros, os escravos e por fim os escravos novos. No exercício de sua masculinidade, o jovem senhor tinha de falar, transitar e impor suas ordens a todos os grupos da sociedade.

Rua Direita, Rugendas

Eduardo Schnoor. "Riscando o chão": masculinidade e mundo rural entre a Colônia e o Império. In: PRIORE, Mary del; AMANTINO, Marcia. História dos homens no Brasil. São Paulo: EDUSP, 2013. p. 95-98.

quarta-feira, 25 de março de 2015

Iconografia: D. Pedro II na abertura da Assembleia Geral, 1872

D. Pedro II na Abertura da Assembleia Geral, 1872, Pedro Américo

A imagem mostra um D. Pedro II maduro na cerimônia de abertura da Assembleia Geral de 3 de maio de 1872. Já estávamos longe da independência. O Estado brasileiro, depois da turbulência do período regencial, estava consolidado. Todavia, a independência do Brasil [...] foi essencialmente conservadora, resultando em um regime político e em uma ordem econômica e social que não incorporou as conquistas revolucionárias ligadas ao fim do Antigo Regime na Europa. Assim, a independência, relacionada a "uma era de revoluções", se combinou no Brasil com a tradição e o atraso. A elite conservadora do país, organizada em torno do imperador, havia encontrado a fórmula política ideal para conservar o poder do latifúndio agroexportador e a escravidão. 

PEDRO, Antonio [et al.]. História do mundo ocidental. São Paulo: FTD, 2005. p. 282.

sábado, 28 de fevereiro de 2015

Iconografia: Trabalhadores, despertai!

Trabalhadores, despertai!, V. Serov

O quadro acima foi feito depois da Revolução Russa de 1917, quando os comunistas já estavam no poder. Nessa época, como em toda a história da União Soviética, o Estado controlava rigorosamente a produção cultural. A arte estava a serviço do regime para legitimar o poder estabelecido. Artistas e intelectuais dissidentes eram perseguidos. O denominado "realismo socialista" na arte era promovido. O quadro exalta a participação do operariado na Revolução Russa. Era em nome dos trabalhadores que o Partido Comunista governava a União Soviética.

PEDRO, Antonio [et al.]. História do mundo ocidental. São Paulo: FTD, 2005. p. 384.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Iconografia: Mosaico da Igreja de São Vital, Ravena


A imagem é a reprodução de um mosaico da igreja de São Vital, Ravena, na Itália, cidade que fez parte do Império Bizantino. Nela vemos uma procissão, com o imperador Justiniano (ao centro) acompanhado de altas autoridades. Ao lado do imperador, à direita, um arcebispo segura uma cruz incrustada de jóias, seguido de um rico banqueiro.

A imagem apresenta uma série de objetos e cores simbólicas. Justiniano traz nas mãos uma escudela que simboliza a fartura, a segurança material e espiritual. Ele é o guardião da fé e do povo. A cor púrpura de sua roupa simboliza o poder imperial. O dourado é a cor do poder espiritual, que caracteriza a Igreja e legitima o poder imperial.

Justiniano traz na cabeça uma auréola, símbolo do caráter sagrado do seu poder.

O desenho no escudo à esquerda simboliza a forma como será estabelecido o Reino de Deus na terra: em nome do Pai, através do Filho, com a graça do Espírito Santo e a ação do imperador e da Igreja.

A imagem consegue sintetizar as bases de sustentação do Estado bizantino.

PEDRO, Antonio [et al.]. História do mundo ocidental. São Paulo: FTD, 2005. p. 133-4.