quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Conquista e colonização da América espanhola

Montezuma, o imperador asteca, encontra-se com Hernán Cortez. Atrás de Cortez está a índia Malinche, que serviu de intérprete nos contatos entre o conquistador espanhol e os astecas. Lienzo de Tlaxcala.

"A espada, a cruz e a fome iam dizimando
a família selvagem".
(Pablo Neruda, poeta chileno)

"As bactérias e os vírus foram os aliados mais eficazes da conquista. Os europeus traziam consigo a varíola e o tétano, várias doenças intestinais e pulmonares, a lepra, as cáries que apodreciam as bocas. Os índios morriam como moscas; seus organismos não opunham defesas contra doenças novas."
(GALEANO, Eduardo. As veias abertas da América Latina. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1978. p. 30.)

Conquista y colonización de la América española

Os conquistadores espanhóis chegaram à América atrás de riquezas e do prestígio que poderiam obter servindo a Coroa. Julgavam que os indígenas, principalmente aqueles que conheciam a metalurgia e produziam objetos de metais preciosos, poderiam levá-los ao "El Dorado". Essa expressão dá nome a um lugar imaginário, cheio de maravilhas, com o qual sonhavam os homens do final da Idade Média, e ao ouro, metal tão procurado na época do mercantilismo.

O período da conquista espanhola teve início em 1519, quando Hernán Cortez arrasou o Império Asteca no México. A conquista continuou com a dominação do Império Inca, no Peru, por Francisco Pizarro e Diego Almagro (1531-1534). A conquista territorial e o extermínio de vários povos e culturas prepararam o terreno para a colonização.

* A administração colonial. Conquistado o território, as autoridades espanholas passaram a organizar a exploração das riquezas. De início, a Coroa autorizava particulares a explorar uma determinada região. Esse sistema era conhecido como Adelantado. Com o passar do tempo, a metrópole foi aumentando sua autoridade direta sobre a América. Com isso, a América espanhola foi dividida em quatro vice-reinos e várias capitanias.

"Deus está no céu, o Rei está longe, e aqui
mando eu".
(Afirmativa de um Adelantado)

* A economia na América espanhola. A Coroa pretendia ter o domínio das regiões onde havia metais preciosos e impor o monopólio comercial sobre as colônias. Assim, a empresa colonial espanhola se baseou nas minas de ouro e prata. As regiões produtoras desses metais eram os eixos principais de colonização, enquanto as regiões vizinhas a estas eram fornecedoras de alimentos, tecidos e animais de tração. Assim, o Chile e a Argentina eram dependentes das regiões mineradoras do Peru e da Bolívia.

Havia também a agricultura e a pecuária voltadas para o mercado externo. Na produção agrícola predominavam os gêneros tropicais, como o açúcar, o tabaco e o cacau. Na região platina criavam-se animais de transporte e produzia-se charque e couro.

A exploração do trabalho indígena deu-se por meio da mita e da encomienda. A mita, costume incaico, era o aproveitamento do índio nas atividades mineradoras, quatro meses por ano. Era um trabalho realizado em condições precárias e tinha características de trabalho forçado ou compulsório. A encomienda era o trabalho, geralmente na agricultura, realizado pelos indígenas sem remuneração. O encomendero recebia da Coroa o direito de impor esse trabalho e o dever de promover a cristianização dos indígenas.

"Não é prata o que se envia à Espanha, é suor e
sangue dos índios".
(Frei Domingo de Santo Tomás)

* Uma sociedade de contrastes. Socialmente, havia dois grupos: a) o dos brancos, privilegiados, composto pelos chapetones (brancos nascidos na Espanha que realizavam funções administrativas, militares etc.) e pelos criollos (brancos nascidos na América, donos das propriedades rurais e das minas); b) o dos índios, negros e mestiços, que trabalhavam para enriquecer seus senhores.


Zambo. Artista desconhecido, ca. de 1780

Parte do clero católico se opunha à exploração do indígena, destacando-se os frades Bartolomeu de Las Casas e Antonio Montesinos. Entretanto, as leis de proteção ao nativo sempre foram desrespeitadas. Os jesuítas orientavam seu trabalho para a formação de "reduções", onde viviam milhares de indígenas, que eram alfabetizados e catequizados em sua própria língua, e se dedicaram à agricultura, à pecuária e ao artesanato. Com relação à escravidão do negro, a Igreja pouco se manifestou.  PEDRO, Antonio et all. História da civilização ocidental. São Paulo: FTD, 2005. p. 181-182.

Cena em rua de Lima, Peru, Rugendas

* Vestimenta e status. As esposas dos criollos e chapetones vestiam anáguas de fustão e por cima delas colocavam uma armação que servia de base para a saia de seda. Usavam também camisas de algodão fino e um corpete com amplas mangas que cobriam com um xale. Em seguida, colocavam as joias: pulseiras, braceletes, anéis, colares e gargantilhas de ouro e prata em grande quantidade.

Aos domingos e durante as festas religiosas, homens e mulheres acrescentavam ainda mais detalhes às suas roupas: uma capa para os homens, um vestido de tafetá para as mulheres. A aparência era o principal indicador de status, reforçado nessas ocasiões festivas.

Além das procissões religiosas, os homens ricos reuniam-se para apreciar as touradas - um costume trazido da Espanha no início da colonização -, para as quais o governo construiu locais especiais.

Uma festa bastante apreciada era o Carnaval, quando aconteciam diversos tipos de jogos e brincadeiras. O jogo mais comum era a guerra de água entre homens e mulheres com "bombas" feitas de casca de ovo cheias de água perfumada e fechadas com cera. Durante todo o período carnavalesco, as famílias costumavam se reunir na casa de um único vizinho, onde comiam, dormiam e festejavam. DREGUER, Ricardo; TOLEDO, Eliane. Novo História: conceitos e procedimentos. São Paulo: Atual, 2009. p. 62.

Mestizo. Artista desconhecido, ca. de 1780

* Destruição sistemática da cultura pré-colombiana. Juan de Zumáraga, primeiro arcebispo do México, se orgulhava, em uma carta de 1547, de que seus sacerdotes haviam destruído até então mais de 500 templos indígenas e queimado cerca de 2 mil ídolos. Ele próprio ajudou a incinerar os arquivos existentes em Texcoco. O mesmo fez o bispo de Yucatán, Diego de Landa, ao atirar ao fogo purificador os manuscritos maias - único povo da América pré-colombiana que havia criado uma escrita -, fazendo com que se destruíssem os principais documentos históricos e literários. RAMPINELLI, Waldir José. A falácia do V Centenário. In: RAMPINELLI, Waldir José; OURIQUES, Nildo Domingos (orgs.) Os 500 anos: a conquista interminável. Petrópolis: Vozes, 2000. p. 31.


Mulatto. Artista desconhecido, ca. de 1780

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